Uma dupla acusação Inspirado em Gênesis 3, 8 – 13 .
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Deuteronômio: Quando a Vontade de Deus parece impossível de cumprir (Dt 1,20-3,29)
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O Livro de Josué

Para quem lê a Bíblia nos dias de hoje, o relato do Livro de Josué, continua o Deuteronômio: Moisés morre, Josué assume a liderança e atravessa o Jordão a pé enxuto, numa repetição da travessia do Mar Vermelho, toma Jericó, num episódio mais litúrgico do que guerreiro, e conduz o povo a ocupar todo o território, dividindo-o pelas doze tribos, herdeiras dos filhos de Jacó.

O Livro, como está, pode ser dividido em três partes:

1. A conquista de Canaã (capítulos 1-12);
2. A divisão do território entre as tribos, e a situação especial dos levitas (capítulos 13-21);
3. Um “anexo”: uma querela a respeito de um altar (capítulo 22); uma exortação de Josué, quase sua despedida e legado espiritual (capítulo 23); o episódio da aliança de Siquém, um pacto entre todas as tribos de Israel (capítulo 24).

Na primeira parte há grandes “mistérios”, não tanto para o leitor piedoso da Bíblia, mas para o historiador: tudo indica que Jericó era uma ruína na época mais provável da invasão. Igualmente a tomada de Hai ou Aï, cujo nome significa “ruína” e era ruína há muito, quando, quase certamente, os israelitas se fizeram presentes em Canaã. Os estudiosos, na falta de mais elementos, sentem-se confusos para nos dar um painel coerente dos fatos tão remotos de uma penetração de populações nômades, entre as várias cidades-reinos, que formavam uma colcha de retalhos, com populações de várias etnias e línguas. As fronteiras eram porosas, e todos estavam habituados com velhos costumes de admitir grupos nômades nos seus pastos, como lemos na história, por exemplo, de Abraão. Com mais estudos, avançaremos mas é inegável que os israelitas acabaram por se apropriar do território e formaram o antigo reino de Saul, Davi e Salomão.