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O Livro do Deuteronômio, “A Segunda Lei”

O Livro do Deuteronômio

No Livro do Deuteronômio (“Segunda Lei”), lemos que o rei de Israel não deve ter nem muitas mulheres, nem muito ouro e prata, “para que seu coração não se torne infiel”. E o texto prossegue que, seu primeiro cuidado, ao subir ao trono, será fazer transcrever para si num livro, uma cópia, desta lei (“Torá”, “Ensinamento”)… Há de guardá-la junto de si e a lerá todos os dias de sua vida”. Pelo texto (Dt 17,16-19), fica bem claro que ele foi escrito já no tempo da monarquia, muitos séculos depois de Moisés e da conquista da Terra Prometida. Assim, é bem possível que nosso Deuteronômio atual seja uma compilação para uso do rei. Ele é apresentado como uma série de discursos ou exortações de Moisés antes da entrada na Terra Prometida, quando o povo acampava nas planícies de Moab, além do Jordão (ver Dt 1,1-2 e Nm 25-36).

Este livro, em hebraico, é chamado de “Debarín” (“Palavras” ou “Discursos”), e não, como tradicionalmente, pelas primeiras palavras do texto. “Palavras” é um título que nos lembra “antologias”, reunião de textos clássicos para instrução dos jovens, como antigamente se usava nas nossas escolas. Na verdade parece que o Autor ou Autores do Livro tenham tido a clara intenção de resguardar as leis, ensinamentos, usos e costumes deste povo diferenciado, conservando e adaptando o legado de Moisés para a vida na Terra Prometida (ver Gn 12,1). Eles não ignoram as traições do povo, fascinado pela cultura das cidades cananéias, e insistem na fidelidade de Deus, que requer a fidelidade dos seus. Assim a obra tem uma tonalidade de sermões, levando os ouvintes ou leitores a se comover. Este estilo, bem diverso dos outros livros do Pentateuco, recebeu o nome de “deuteronômico”. O livro acentua muito o papel de Jerusalém. Ora, Jerusalém só foi conquistada por Davi. O Deuteronômio é, portanto, testemunho da retomada da grande tradição de Moisés, no tempo dos reis, que “procederam mal diante do Senhor” (ver 2Rs 13,2). O contraste é oferecido por Jesus, o Filho amado, no qual o Pai colocou toda sua alegria (ver Lc 3,21).