No Monte Sinai
abril 17, 2013
O memorial do Sinai – 2 (Ex 19,1-8)
abril 17, 2013

O memorial do Sinai – 1 (Ex 19 a 23)

montesinai_majestadeQuando, afinal, havia leitores suficientes, muito tempo depois de Moisés, os que redigiram o Livro do Êxodo narraram os acontecimentos fulgurantes do Sinai, tomando o esquema que lhes era familiar do culto da aliança, da celebração da memória daqueles eventos decisivos.

Não temos, portanto, uma reportagem de uma testemunha ocular. Mas temos as consequências daqueles dias, a herança da noção de que Deus nos toma como aliados, de que nos considera livres, capazes de vida ética e nos concede a guia destes magníficos Dez Mandamentos.

Os Autores bíblicos usam dois nomes para a montanha, muda testemunha dos acontecimentos que têm marcado o rumo da história de Israel e até da humanidade: Horeb e Sinai, nome também da península e do deserto entre a África e Europa, laço dos continentes, ainda não rompido pelo Canal de Suez. O monte, que é tido como o lugar da revelação de Deus bom e justo, bem que pode ser a elevação de 2.300 m de atitude, mas os textos bíblicos não permitem confirmar com exatidão. Para os Autores das Escrituras o que importava não era precisão geográfica, mas a história sagrada que tinha feito daquele grupo de clãs um povo, e lhe tinha dado uma definição, um destino.

Os peritos, lendo com muito cuidado este admirável relato, nos fazem perceber que os versículos de 1 a 8 são um prólogo, uma introdução. A manifestação do Senhor ocupa os versículos de 9 a 25. Em seguida vêm os compromissos: os Dez Mandamentos (20,1 a17) e o Código da Aliança (20,22 a 23,19). Ele não tem o volume de um grande romance, nem de um grosso dicionário. No entanto, concentra toda a legislação de Israel, toda sua ética em poucas páginas. O efeito é impressionante: pouco a pouco os desdobramentos desta “semente” moral se vão fazendo sentir até nossos dias e prometem continuar influenciando o direito, a justiça, e os usos e costumes dos povos.