Natal do Menino Deus
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O Menino Jesus nos dá dignidade! Alegria! Alegria!

Toma consciência, ó cristão, de Tua dignidade! *

MeninoJesus_dormindo

 

– Hoje, amados filhos, nasceu nosso Salvador. Alegremo-nos! Não pode haver tristeza no dia em que nasce a Vida, Vida que, afastando o medo da morte, enche-nos de júbilo com a promessa da eternidade!

[Senhor nosso, Jesus Cristo, Menino Deus, escuto o que proclama o Teu Apóstolo: “Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo vos digo: Alegrai-vos! Vossa modéstia seja conhecida por todos! O Senhor está perto! Não vos preocupeis com coisa nenhuma! Manifestai vossas necessidades a Deus (…). Então a Paz de Deus que supera todo entendimento, guardará os vossos corações e vossos pensamentos em Cristo Jesus” (Fl 4,4-7).]

– Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. A causa da alegria é comum a todos, porque Nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém livre de culpa, veio libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima a vitória! Rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão! Reanime-se o pagão, porque é chamado à Vida!

[Bom Jesus, Menino Deus, nós Te bendizemos porque és nosso Salvador!]

– Quando chegou a plenitude dos tempos, fixada pelos insondáveis desígnios divinos, o Filho de Deus assumiu a natureza do homem, para reconciliá-lo com o seu Criador, de modo que o demônio, autor da morte, fosse vencido pela mesma natureza, que, antes, vencera. Eis porque, no Natal do Senhor, os Anjos cantam jubilosos: “Glória a Deus nas alturas!”; e anunciam: “Paz na terra aos homens de boa vontade!” (Lc 2,14). Eles vêem a Jerusalém celeste ser formada por todas as nações do mundo. Diante dessa obra inexprimível do amor divino, como não devem alegrar-se os homens, em sua pequenez, quando os Anjos, em sua grandeza, assim se rejubilam?

[Que, com os Anjos e todos os Santos cantemos: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens por Ele amados!]

– Amados filhos, demos graças a Deus Pai, por Seu Filho, no Espírito Santo! Pois, na imensa misericórdia com que nos amou, compadeceu-se de nós. E, “quando estávamos mortos por causa de nossas faltas, Ele nos deu a Vida com Cristo” (Ef 2,5), para que fôssemos n’Ele uma nova criação, nova obra de Suas Mãos.

[Graças, Menino Deus! Nós Te damos graças, pois Tu eras, és e vens!]

– Despojemo-nos, portanto, do velho homem, com seus atos! Tendo sido admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos as obras da carne!

[E São Paulo deixa claro: “As obras da carne são bem patentes: prostituição, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódios, divisões, ciúmes, cóleras, intrigas, inveja, bebedeiras, orgias e outras coisas parecidas” (Gl 5,19-20).]

– Toma consciência, ó cristão, de tua dignidade! Já que participas da natureza divina, não voltes aos erros de antes, por um comportamento indigno de tua condição! Lembra-te de que Cabeça e de que Corpo (ver Ef 1,22-23) és membro! Recorda-te que foste arrancado do poder das trevas e levado para a luz e para o Reino de Deus.

[Menino Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, faze-nos filhos da Luz!]

– Pelo Sacramento do Batismo – ó cristão, ó cristã – tu te tornaste Templo do Espírito Santo. Não expulses, com más ações, tão grande Hóspede! Não recaias sob o jugo do demônio, porque o preço de tua salvação é o Sangue de Cristo!

[Menino Deus, que, olhando para o Presépio, nossos corações se abram a Teu infinito Amor, Amor de verdade, Amor-amor!]

* Dos Sermões de São Leão Magno, Papa, 2ª Leitura do Natal, Ofício das Horas.