São Lino (+ 79) 23 de setembro
setembro 22, 2015
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setembro 24, 2015

O Papa, conflitos e tensões, diálogos

O Papa Francisco recebeu no dia 7 de setembro próximo passado integrantes do Movimento Eucarístico Jovem. Respondendo a suas perguntas, ele falou sobre conflitos, tensões e diálogos:

Até os conflitos podem nos beneficiar, porque nos levam a compreender as diferenças, nos fazem entender como são as diversidades e nos levam a compreender que se não encontrarmos uma solução que resolva este conflito, haverá uma vida de guerra. Para ser bem enfrentado, o conflito deve ser orientado para a unidade, e uma sociedade como a Indonésia, que tem uma cultura formada por muitas culturas no seu interior, deve procurar a unidade, mas no respeito por todas as identidades. O conflito só se resolve mediante o respeito pelas identidades.

Quando assistimos à televisão ou lemos os jornais, vemos conflitos que não são resolvidos, e que acabam em guerras: uma cultura não tolera a outra. Pensemos nos nossos irmãos “rohingya” (referindo-se à minoria birmanesa de cerca de 1,3 milhão de pessoas que atraíram a atenção da imprensa internacional no início de 2015 por causa de sua migração em massa a países do sudeste asiático): foram expulsos de um país, e depois de outro, e de outro ainda, e navegam, à deriva, pelo mar… Quando chegam a um porto ou a uma praia, dão-lhes um pouco de água ou algo para comer e depois os devolvem ao mar. Trata-se de um conflito não resolvido, uma guerra. Isto chama-se violência, chama-se matar! É verdade: se entro em conflito com você e o mato, ponho fim ao conflito. Mas o caminho não é este. Quando muitas identidades — culturais e religiosas — vivem juntas num país, haverá conflitos, mas é necessário o respeito pela identidade do outro. É com este respeito que se resolve o conflito. Para resolver as tensões — em família, entre amigos — é necessário o diálogo; os verdadeiros conflitos sociais, e também culturais, só se resolvem mediante o diálogo, mas, sobretudo, respeitando a identidade da outra pessoa.

No Oriente Médio vemos que muitas pessoas não são respeitadas: as minorias religiosas, os cristãos, e não apenas eles, não são respeitadas, e, muitas vezes, seus membros são perseguidos e assassinados. Por quê? Porque não se respeita a sua identidade. Na nossa história sempre houve conflitos de identidade religiosa, que surgiram pela falta de respeito à identidade da outra pessoa: “Mas ele não é católico, não crê em Jesus Cristo!” Procure ver o que há de bom na outra pessoa. Busque na sua religião, na sua cultura, os valores que ali existem. Há de se ter muito respeito! Assim, os conflitos resolvem-se mediante o respeito pela identidade do próximo. E as tensões, os conflitos comportam tensões, somente se resolvem através do diálogo.