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O Papa fala sobre as paróquias lá em Cracóvia!

Em homenagem à festa do Santo Cura d’Ars, padroeiro dos Padres e das Paróquias!

Papa Francisco: “Não se toque na Paróquia”

Em Cracóvia, no encontro comos Bispos da Polônia, o Papa propõe novamente a vida paroquial como caminho comum e privilegiado para o anúncio do Evangelho.

03/08/2016
GIANNI VALENTE
CITTÀ DEL VATICANO

Vatican Insider – La Stampa

“Não se pode tocar na paróquia”. Não é “uma estrutura que se possa jogar pela janela”. Pelo contrário: “É a Casa do Povo de Deus” e “deve continuar sendo um espaço de criatividade, de referência, de maternidade”, disse o Papa, o Bispo de Roma. Em meio à programação da 31ª Jornada Mundial da Juventude, o Santo Padre encontrou tempo para falar do quotidiano da vida paroquial, como lugar propício e privilegiado para o anúncio do Evangelho. Deste modo, focalizou o Papa, no dia 27 de julho, no encontro com os Bispos poloneses na Catedral de Cracóvia. Respondendo à pergunta de um Bispo, ele fez um forte “elogio da paróquia”, repleto de aplicações concretas, destinado “a espantar as fantasias sobre a superação da instituição paroquial”. O que está muito afastado de certas correntes clericais de última geração, que propõem evangelização pela mídia social e eventos.

Para o Papa Francisco o encontro pessoal no âmbito das paróquias “não é algo caduco”, mas “continua sendo o meio mais favorável para o florescimento da obra apostólica confiada à Igreja”. Ele citou a exortação apostólica de São João Paulo, “Os fiéis cristãos leigos”, que insistia como a paróquia “continuará ser a Igreja mesma, vivendo no meio de seus filhos e filhas”. O Papa Francisco foi mais além: “Como procurar a novidade e mudar as estrutura paroquial? O que direi pode parecer a alguns uma heresia, mas é como vivencio eu. Creio que seja alguma coisa comparável à estrutura episcopal, diferente, mas parecida”.

Delineando a missão da paróquia e seus instrumentos próprios, o Papa Francisco não tratou de sofisticados projetos de “reconversão” paroquial: “Não sou um pastoralista iluminado”, admitiu falando de si próprio, e propôs, novamente, como simples ocasiões de anúncio do Evangelho o cuidado das atividades e das relações que marcam a respiração diária de cada paróquia: a celebração dos Sacramentos, a leitura dos Evangelhos, a catequese, o oratório, a acolhida aos necessitados, a atenção ao acompanhamento dos jovens e dos idosos, a caridade e as obras em favor dos necessitados.

De tudo isto é sinal e estandarte, segundo o Papa, as portas abertas da Igreja e ainda o confessionário “com luz acesa”: onde “houver um confessionário com a luz acesa, sempre haverá pessoas, sempre!”.

Limpando o terreno de certa ideologia “das minorias criativas”, que tem celebrado recentemente os movimentos como “tropas escolhidas” da evangelização e representava o restante do Povo de Deus como massa amorfa e inerte a ser mobilizada, disse o Papa Francisco: “Há quem diga que a paróquia não tem mais futuro, porque chegou a hora dos movimentos. Não é verdade! Os movimentos ajudam, mas eles não são uma alternativa à paróquia, devem, sim, ajudar à paróquia, fazer avançar a paróquia, levar adiante a paróquia como as Congregações Marianas, a Ação Católica e tantas outras iniciativas”.

Por outro lado, o Papa não idealiza a vida paroquial. Para ele, as paróquias, exatamente como elemento “estrutural” do tecido da Igreja, podem, fatalmente, se tornarem terminais burocráticos da mais nefasta crueldade clerical: “Há paróquias com secretarias que parecem ‘discípulas de Satanás’, que espantam as pessoas! São paróquias de portas fechadas”. Segundo ela, não é possível restringir a vida paroquial a tediosa, repetitiva e mecânica aplicação de protocolos pré confeccionados, “manuais de uso”. Seu traço distintivo é a criatividade, a disponibilidade em encontrar novos caminhos para cumprir a missão apostólica de sempre. Mas a conversão “em chave missionária” das atividades comuns e dinâmicas pastorais não pode ser pretexto para desafogo de índole inventiva de qualquer pastoralista, mas apenas uma tentativa de tornar mais fácil o encontro com Cristo para homens e mulheres deste tempo, tais como são”.

(…)

“Levar adiante uma paróquia é cansativo, sobretudo quando for bem cuidada, neste mundo com tantos problemas. Mas o Senhor nos chamou para que nos cansássemos um pouquinho, para trabalhar, não para descansar. Para que nos aproximássemos dos que estão longe, consolar, tocar as chagas de Cristo nos sofredores. Isto custa tempo e cansaço. É muito mais fácil recolher-se, também ‘on line’ a um vitimismo lamentoso nos circulozinhos do aparelho clerical, sempre angustiados com o destino da Igreja e sua ‘irrelevância’ “.

Talvez estas palavras expliquem, pelo menos em parte, a hostilidade e revolta clerical diante do magistério do Papa Francisco.