Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz (1.I.16): a indiferença!
dezembro 26, 2015
O Amor-amor revelado no sofrimento do justo e do inocente
Janeiro 10, 2016

O Papa Francisco fala no Congresso Mundial de Educação Católica

Mensagem do Papa Francisco (Roma 21 de novembro de 2015)

O Papa Francisco participou na conclusão do Congresso respondendo às perguntas que lhe eram apresentadas. Nas respostas desenvolveu alguns pontos importantes sobre a educação:

a) Em primeiro lugar, recordou o valor integral da educação que, «como disse um grande pensador: ‘Educar é introduzir na totalidade da verdade”». Portanto, «não se pode falar de educação católica sem falar de humanidade, porque a identidade católica é precisamente Deus que se fez homem». Logo, «educar cristãmente é levar por diante os jovens, as crianças nos valores humanos em todas as realidades, e uma destas realidades é a transcendência. […] A maior crise da educação, na perspectiva cristã, é este fechamento à transcendência. […] Educar humanamente mas com horizontes abertos. Nenhum tipo de fechamento beneficia a educação».

b) O Papa Francisco lamentou, nos dias de hoje, a ruptura do pacto educativo no seguimento da qual «a educação tornou-se também demasiado seletiva e elitista». «O pacto educativo entre a família e a escola, interrompeu-se! Deve-se recomeçar. Também o pacto educativo entre a família e o Estado: interrompeu-se. […] Entre os trabalhadores mais mal pagos encontram-se os educadores: que significa isto? Significa simplesmente que o Estado não tem interesse. Se tivesse a situação não seria assim. O pacto educativo interrompeu-se. E aqui devemos intervir, procurar novos caminhos». É preciso então procurar uma “educação de emergência” através de algumas estradas novas:

1 A educação informal. «É preciso apostar na “educação informal”, porque a educação formal se empobreceu por causa da herança do positivismo. Concebe apenas um tecnicismo intelectualista e a linguagem da mente. E por isso empobreceu-se. É preciso interromper este esquema. E há experiências, como a arte, o desporto… A arte e o desporto educam! É preciso abrir-se a novos horizontes, criar novos modelos… […] Há três linguagens: da mente, do coração e das mãos. A educação deve mover-se nestes três caminhos. Ensinar a pensar, ajudar a ouvir bem e acompanhar no fazer, ou seja, que as três linguagens estejam em harmonia; que a criança, o jovem, pense aquilo que sente e faz, sinta aquilo que pensa e faz, e faça aquilo que pensa e sente».

2 A educação inclusiva. «A educação torna-se inclusiva porque todos têm um lugar; inclusiva também humanamente. […] A verdadeira escola deve ensinar conceitos, hábitos e valores».

3 A educação do arriscar. «Um educador que não sabe arriscar, não serve para educar. Um pai e uma mãe que não sabem arriscar, não educam bem o filho. Arriscar de modo razoável. Que significa isto? Ensinar a caminhar. Quando tu ensinas uma criança a caminhar, ensinas-lhe que uma perna deve estar firme no pavimento que conhece, e com a outra procurar ir em frente. Assim se escorrega, pode defender-se. Educar é isto. Tu tens a certeza neste ponto, mas isto não é definitivo. Deves dar outro passo. Talvez escorregues, mas levantas-te, e vais em frente… O verdadeiro educador deve ser um mestre de risco, mas de risco razoável».

c) Por fim, o Papa Francisco lançou alguns desafios aos educadores.

Em primeiro lugar, o desafio das periferias. «Deixai os lugares onde há muitos educadores e ide às periferias. Procurai ali. Ou pelo menos, deixai metade deles! Procurai lá os necessitados, os pobres. E eles têm uma coisa que os jovens dos bairros mais ricos não possuem — não por culpa deles, mas porque é uma realidade sociológica: têm a experiência da sobrevivência, também da crueldade, da fome, das injustiças. Têm uma humanidade ferida. E penso que a nossa salvação vem das feridas de um homem ferido na cruz. Daquelas feridas, eles obtêm sabedoria, se houver um bom educador que os leve em frente. Não se trata de ir lá fazer beneficência, ensinar a ler, dar de comer…, não! Isto é necessário, mas é provisório. É o primeiro passo. O desafio — e eu vos encorajo — é ir lá para os fazer crescer em humanidade, em inteligência, em valores, em hábitos, para que possam ir em frente e levar aos outros experiências que não conhecem».

Outro desafio é o de demolir muros. «A maior falência que um educador pode sofrer, é educar “dentro dos muros”. Educar dentro dos muros: muros de uma cultura selectiva, muros de uma cultura de segurança, muros de uma camada social abastada e que não vai além».

O terceiro desafio é o de reconsiderar as obras de misericórdia na educação. «Neste ano da Misericórdia, misericórdia é apenas dar esmola, ou na educação, como posso eu fazer obras de misericórdia? Ou seja, são as obras do Amor do Pai. […] Como posso fazer para que este Amor do Pai, que é ressaltado especialmente neste Ano da Misericórdia, chegue às nossas obras educativas?».