Os membros da Igreja
abril 18, 2013
Aborto: uma ferida incurável?
abril 18, 2013

O Papa na Igreja. O celibato evangélico

124 Qual a missão do Santo Padre, o Papa, na Igreja?

O Papa, como sucessor de Pedro, Bispo de Roma, possui autoridade primeira sobre todos os fiéis e seus pastores. Com efeito, a Pedro foi dado “o poder das chaves”, associado a Cristo como “pedra” sobre a qual Cristo mesmo constrói a sua Igreja, segundo sua mesma palavra: Tu és Pedro – KEFAS-, e sobre esta Pedra – KEFAS – vou edificar a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus, e o que ligares na terra será ligado nos céus; e o que desligares na terra será desligado nos céus (Mt 16,18-19), um poder que ele exerce não isolado, mas na comunhão da Igreja. De fato, também os discípulos – isto é, toda a comunhão da Igreja – participam do mesmo dom: Eu vos declaro esta verdade, tudo o que ligardes na terra será ligado também no céu e tudo o que desligardes na terra será desligado também no céu (ver Mt 18,18). O serviço “petrino” do Santo Padre é o de confirmar na Fé os irmãos (Lc 22,32). Por isso mesmo, o próprio Cristo ressuscitado, junto ao lago da Galiléia, encarregou São Pedro de apascentar seus cordeiros e suas ovelhas (Jo 21,15-17).

125 O Papa pode ensinar coisas erradas, levando a engano o Povo de Deus?

O Papa não pode errar nem levar a erro a Igreja em questões de fé e de moral, pois “as portas do inferno” não podem prevalecer contra ela. O Espírito de Jesus é o Espírito da Verdade e conduz a Igreja toda, ensinando-nos toda a verdade (Jo 16,13). Cabe ao Papa e aos Bispos com ele, como sucessores dos Apóstolos executar a vontade do Senhor Ressuscitado, como lemos em: Os Onze discípulos (ou seja, os Doze Apóstolos, menos Judas Iscariotes) foram à Galiléia, até o monte que Jesus tinha determinado. Quando o viram, prostraram-se diante dele. Alguns, porém, duvidavam. Jesus, aproximando-se deles, falou-lhes: “Toda a autoridade me foi dada sobre o céu e sobre a terra: ide, portanto, e fazei de todas as nações discípulos, batizando-os em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinado-as a observar tudo quanto vos ordenei. Eis que estarei todos os dias convosco até o fim dos tempos” (Mt 28, 16-20). Por isso mesmo têm o dom do Espírito no exercício desta missão.

Na vida particular, ou quando não falam sobre coisas da fé e da moral unidos em comunhão, com a intenção de ensinar o que ensina a Igreja, eles podem errar e chegam a errar.

126 Qual a inspiração bíblica e evangélica do celibato do clero? Por que os Padres e Bispos renunciam ao casamento?

O celibato na Igreja começou a existir na Igreja por decisão e vocação pessoal. Assim diz Paulo: É bom ao homem não tocar em mulher … Quisera que todos fossem como eu, mas cada qual recebe de Deus o seu dom particular, um deste modo, outro deste modo. Contudo digo às pessoas solteiras e viúvas que é bom ficar como eu … A propósito das pessoas virgens, não tenho preceito do Senhor. Dou, porém, um conselho como homem que, por misericórdia de Deus, é digno de confiança: julgo que esta condição é boa por causa das angústias presentes … se te casares não pecarás. Mas estas pessoas terão tribulações na carne, e eu queria vos poupar delas … Eu quisera que estivésseis livres de preocupações. Quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar o Senhor. Quem tem esposa, cuida das coisas do mundo e do modo de agradar à esposa e fica dividido. Da mesma forma a mulher não casada e a virgem cuidam das coisas do Senhor, a fim de serem santas de corpo e espírito. Mas a mulher casada cuida das coisas do mundo e do modo de agradar o marido. Digo isto para o vosso próprio interesse, e não para vos fazer cair em armadilha, mas para que façais o que é mais nobre e possais permanecer junto ao Senhor sem distração (ver 1Cor 7-35).

Mais adiante, Paulo também diz: Sede meus imitadores, como eu também o sou de Cristo (1Cor 11,1). Com efeito, é em Cristo, e não em Paulo, que os homens e mulheres cristãos encontraram e continuam encontrando inspiração para viver o celibato consagrado a Deus e aos irmãos.

127 Jesus viveu o celibato consagrado?

Jesus, verdadeiro homem, sabia que tinha de cuidar das coisas do Pai (Lc2,49). Por isso, contra todo o costume do seu tempo e do seu povo não se casou, mas ensinou aos discípulos um novo caminho de vida: Os discípulos lhe disseram: “Se esta é a condição do homem em relação à mulher, neste caso não convém casar!” Ele lhes respondeu: “Nem todos compreendem esta linguagem, mas só aqueles a quem é concedido. Com efeito, há eunucos que nasceram assim do seio materno; há eunucos que forma feitos assim pelos homens; e há eunucos que se tornam eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder compreender que compreenda” (Mt 19,10-12).

Ora, eunuco, neste caso, quer dizer um homem que incapacitado por alguma enfermidade ou veio a ser incapacitado por mutilação, isto é, castração, para gerar filhos e se casar. Jesus toma como ponto forte de comparação esta triste realidade e nos aponta uma nova realidade: há os que preferem ser tidos como eunucos por amor ao Reino, dom do Espírito do Senhor.

O Senhor Jesus abençoou com sua palavra e promessa: Em verdade eu vos digo, não ha quem tenha deixado casa mulher, irmãos, pais ou filhos por causa do Reino de Deus sem que receba muito mais nesta vida e no mundo futuro, a vida eterna (Lc 18,29-30; ver também Mt 19,27-29 e Mc 10,28-30).

128 Por que o celibato dos Padres e Bispos é mantido na Igreja Romana?

Por livre decisão, aprovada pela sua experiência histórica e pela vivência de seus santos, a Igreja Romana não só estimula e abençoa os que querem viver esta vocação, mas escolhe só entre eles seus Presbíteros e Bispos (lei do celibato eclesiástico).

Nas Igrejas do Oriente cristão, os Bispos devem ser escolhidos entre o clero celibatário. O homem que se ordenar solteiro deve permanecer celibatário. O homem casado que for ordenado Padre não pode ser ordenado Bispo.

Sendo uma lei sua, inspirada no desejo de corresponder melhor ao que contempla no Evangelho, a Igreja Romana tem autoridade para desligar do cumprimento desta norma em casos especiais.