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O Papa no Jubileu dos Excluídos (11 a 13 de novembro de 2016)

“Mais progresso, mais excluídos: a grande injustiça dos nossos dias”

O Papa na Missa do “Jubileu dos sem teto”: “Não existe paz nas casas dos que passam bem, quando falta justiça na casa de todos”. Tudo passa, também “os reinos poderosos”, não, contudo, “Deus e o próximo”. Hoje, se fecham todas as portas santas do mundo, exceto a de São Pedro, que permanecerá aberta ,ais uma semana. Na hora do “Anjo do Senhor”, o Papa afirmou que o Ano Santo da Misericórdia “nos chama a olhar o Senhor e a construir o futuro nesta terra”.

REUTERS

O Papa Francisco na Missa do “Jubileu das pessoas socialmente excluídas” – 13.11.16

Domenico Agasso JR
Cidade do Vaticano

Como é possível ficar tranquilo no próprio lar, enquanto o povo desesperado “jaz na porta”? Não é possível haver “paz na casa dos que passam bem, quando falta justiça na casa de todos”. Assim “nasce a trágica contradição dos nossos tempos: quanto mais crescem o progresso e as oportunidades, tanto mais aumenta o número dos que não podem acessá-los”. Em consequência se observam “os sintomas de esclerose espiritual”, quando “o interesse se concentra sobre as coisas a produzir, em vez das pessoas a serem amadas” disse o Papa nesta manhã, na Basílica de São Pedro, por ocasião do “Jubileu das pessoas socialmente excluídas” (11 a 13 de novembro), no dia em que se fecham as “portas da misericórdia nas catedrais e santuários do mundo inteiro, recordou que tudo passa, também “os reinos poderosos, mas não Deus e o próximo”.

O Papa Francisco nos exorta, a partir das palavras do profeta Malaquias, na primeira leitura do dia de hoje: “Para vós surgirá o sol da justiça com raios benéficos”. Explicou: “Lemos na última página do último profeta do Antigo Testamento estas palavras, dirigidas a todos que têm confiança no Senhor, que colocam sua confiança n’Ele, escolhendo-O como o supremo bem da vida, e recusando viver voltados apenas para si mesmos”.

Para tais pessoas, “pobres de si, mas ricas de Deus, surgirá o sol da justiça d’Ele. Elas são os pobres em espírito, aos quais Jesus promete o Reino dos Céus e que Deus chama, pela boca do profeta Malaquias, ‘minha particular propriedade’ ”.

O Santo Padre observa que dessas palavras “nascem questões que interpelam o último sentido da vida: ‘Onde ponho a minha segurança? No Senhor ou em coisas que não Lhe agradam? Para onde se orienta a minha vida, para onde se volta o meu coração? Para o Senhor da Vida ou para as coisas que passam, sem saciar?”. Perguntas “parecidas se apóiam no trecho do Evangelho de hoje”, no qual se fala de Jesus, que estava em Jerusalém, “para a última e mais importante etapa de sua vida terrestre: sua morte e ressurreição”. Cristo está “à vista do Templo, ‘ornado de belas pedras e oferendas votivas’. As pessoas comentavam, então, das belezas externas do Templo, quando Jesus disse: ‘Virão dias quando, não ficará pedra sobre pedra do que estais vendo’. Acrescenta que não faltarão conflitos, carestias e perturbações na terra e no céu’ ”. Comentou o Papa: “O Filho do Homem não quer apavorar, mas nos dizer como tudo o que vemos passará inexoravelmente. Mesmo os reinos os mais poderosos, os edifícios mais sagrados e as realidades mais estáveis deste mundo não durarão para sempre, mais cedo ou mais tarde, caem. Então as pessoas fizeram duas perguntas ao Mestre: ‘Quando acontecerão estas coisas e quais serão os sinais?’ Sempre somos espicaçados pela curiosidade. Queremos saber quando e receber sinais. Mas esta curiosidade não Lhe agrada. Pelo contrário, Ele exorta a não nos deixarmos enganar pelos pecadores apocalípticos. Quem for seguidor não dará ouvidos aos profetas da desventura, à vaidade dos horóscopos, às predições que geram medo, distraindo daquilo que conta”. Em vez disto, “entre tantas vozes que se escutem, o Senhor convida a distinguir o que vem d’Ele e o que vem do espírito falso. É importante distinguir o convite sábio, que Deus nos renova cada dia, do clamor de quem se serve do Nome de Deus para apavorar, alimentando divisões e medo”.

O Bispo de Roma sublinha o forte convite de Jesus “de não ter medo diante às perturbações de cada época. Ele pede perseverança no bem, pondo plena confiança em Deus, que não nos engana: ‘Nem mesmo um cabelo de vossas cabeças será perdido’. O Senhor não esquece seus fiéis, sua propriedade preciosa, que somos nós”.

Porém, Jesus interpela homens e mulheres de todos os tempos e lugares “sobre o sentido de nossa existência”. Para Francisco, as leituras litúrgicas de hoje “se põem como uma referência no fluir de nossa vida. Recordam-nos que quase tudo no mundo passa, como água que escorre, mas nós somos a realidade preciosa que permanece, como pedra preciosa engastada”. Quais são estas riquezas que não desaparecem? Responde o Papa: “Certamente duas: o Senhor e o próximo. Estes são os dois maiores bens a amar. Todo o resto – céu e terra, as coisas mais belas, mesmo esta Basílica de São Pedro – passa, mas não devemos excluir da vida Deus e os demais”.

Pelo contrário, “ainda hoje, quando se fala de exclusão, imediatamente pensamos nas pessoas concretas, não coisas inúteis, mas pessoas preciosas. Percebe-se que a pessoa, posta por Deus no mais alto do criado, é, frequentemente, descartada, pois se preferem as coisas que passam”. Para o Papa, “isto é inaceitável, pois o ser humano é o bem mais precioso aos olhos de Deus”. Além disto “é grave que nos habituemos a este descarte. É necessário preocupar-se, quando a consciência se anestesia, e não se importa mais com o irmão, que sofre junto a nós, e com os problemas sérios deste mundo, que se tornam apenas os assuntos já habituais nas notícias dos telejornais”.

O Papa, dirigindo-se aos excluídos presentes na Basílica e a todos os demais do planeta, exclamou: “Com vossa presença, vós nos ajudais a nos sintonizarmos com o cumprimento da onda de Deus, a nos fixarmos naquilo que diz respeito a Ele, o qual não se detém na aparência, mas tem seu olhar voltado para o humilde, para o que tem espírito contrito, para os muitos pobres Lázaros de hoje.”

Com amargura, acrescentou Francisco: “Como nos faz mal fingir que não percebemos Lázaro, excluído e descartado”. Este comportamento “é virar o rosto a Deus. É um sintoma de esclerose espiritual, quando o interesse se concentra sobra as coisas a serem produzidas, em lugar das pessoas a serem amadas”. Deste modo, “nasce a trágica contradição dos nossos tempos: quanto mais aumentam o progresso e a possibilidade, o que é um bem, tanto mais são os que não podem ter acesso a eles”. Continuou: “Trata-se de “uma injustiça que nos deve preocupar, muito mais do que saber quando e como será o fim do mundo. Porque não se pode estar tranquilo em casa, enquanto Lázaro está prostrado à nossa porta. Não pode haver paz na casa de quem passa bem, quando falta justiça na casa dos demais”.

O Papa exorta a pedir “a graça de não fechar os olhos diante de Deus, que nos vê, e diante do próximo, que nos interpela. Abramos os olhos para Deus, purificando a vista do coração do coração e as representações enganosas e amedrontadoras, do deus do poder e dos castigos, projeção da soberba e dos temores humanos. Voltemos nossos olhos para Deus da misericórdia. Renovemos a esperança da vida verdadeira, à qual somos chamados, que não passará e que nos aguarda na comunhão com o Senhor e com os demais, na alegria que durará para sempre, sem fim”.

Sobre os débeis e marginalizados “se volta a lente de aumento da Igreja. Que o Senhor nos livre de voltá-la para nós mesmos. Que nos afaste das vaidades que distraem, dos interesses e privilégios, dos apegos ao poder e à glória, das seduções do espírito do mundo”.

Sem ler o texto escrito, declarou o Santo Padre: “Eu gostaria que hoje fosse a jornada dos pobres”.