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O QUE ANCHIETA REPRESENTA PARA A CULTURA BRASILEIRA

O QUE ANCHIETA REPRESENTA PARA A CULTURA BRASILEIRA *

josé de anchieta 2

É uma grata satisfação ter podido atender o convite da ilustre Professora. Consuelo Pondé de Sena para participar desta comemoração da morte bendita do nosso Bem – aventurado Pe. José de Anchieta há 400 anos, nesta casa, conhecida por sua dedicação à cultura.

Se alguém perde a memória, perde também a identidade. Já não sabe quem é, quem são seus familiares, companheiros de trabalho e até o próprio rosto lhe parece o de um estranho. Se o Brasil vai perdendo a sua memória, vai perdendo também a sua identidade. Assim o papel dos Srs. e deste Instituto é de extrema importância para a nacionalidade. E recordar o papel de Anchieta na formação da cultura brasileira deixa de ser um simples culto ao passado para se tornar uma questão vital para nosso presente e futuro como país.

O Pai de José de Anchieta nasceu em país basco, não muito longe da terra natal de Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus. As duas famílias tiveram laços de paz e guerra, como também de casamento e parentesco. Ele foi rebelde, participante da revolta dos “comuneros” contra Carlos V, em favor dos antigos foros e liberdades locais. Condenado à morte, sua mãe intercedeu por sua vida junto ao Duque de Nájera (que conhecemos como patrono do jovem Inácio de Loyola), então Vice Rei da Navarra, obtendo a comutação da pena fatal em exílio para as ilhas Canárias, colonizadas pelas naus de Castela havia meros 40 anos. Lá nosso amigo reconstruiu a vida, fez carreira na magistratura e constituiu família, casando-se com uma viúva, neta de castelhanos e de sangue hebreu por sua avó materna.

Assim a Providência ia preparando um rico dom para o Brasil. O menino José, com efeito, nasceu numa casa onde se falava basco e castelhano. Serviçais, nativos da ilha, terão habituado seus sensíveis ouvidos infantis aos sons do guanche, a língua dos primitivos habitantes do arquipélago, provenientes da África do Norte. Cedo começou a aprender o Latim, que dominou com rara maestria. Aos 14 anos, acompanhando um seu meio irmão, foi estudar na Universidade de Coimbra, na época favorecida por uma reforma que dela fazia um dos centros mais brilhantes da renascença européia, num Portugal em criativa efervescência, despontando como a primeira potência marítima de âmbito mundial.

Ali ele conheceu a juvenilíssima Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola, à qual se juntou, tendo sido enviado ao Brasil pelo mesmo Inácio, logo que terminou os dois anos de Noviciado. Chegou a nossa Salvador com um pequeno grupo de outros missionários jesuítas em 13 de julho de 1553.

Tudo isto e mais ainda os Srs. sabem e podem reler no recentíssimo livro do Pe. Armando Cardoso, SJ, “Um Carismático que fez História – Vida do Pe. José de Anchieta”, que acaba de ser lançado pela Editora Paulus. Escrito num ritmo ágil, com o necessário aparato científico, sem cair em erudição maçante ou estilo rebuscado, recordou-me o cinematográfico “Memorial de Maria Moura” de Rachel de Queiroz.

Personalidades da cultura brasileira prestam testemunho da grandeza ímpar de Anchieta na nossa formação e sua persistente e criativa presença. Por exemplo: Altino Arantes, intelectual e ex-presidente da Província de S. Paulo; Capistrano de Abreu e o grande Pedro Calmon, ligado a este Instituto e filho desta boa terra; Serafim Leite; Machado de Assis; Fagundes Varela e Jorge de Lima, o grande e muito injustamente esquecido alagoano, de cujas obras completas anunciam – felizmente – uma reedição para breve.

De Machado de Assis, nosso maior escritor, não consta que tenha sido um católico devoto. Em certo sentido, por isso mesmo, seu poema “José de Anchieta” é um testemunho da importância que o príncipe de nossas letras atribuía àquele que ocupa, em nosso país, posição em tudo semelhante a dos “Pilgrims Fathers” para os Estados Unidos da América do Norte:

“Este que as vestes ásperas cinge,
E a viva flor da ardente juventude
Dentro do peito a todos escondia;

Que em páginas de areia vasta e rude
Os versos escrevia e encomendava
À mente, como esforço de virtude…

Trepar não cuidas a luzente escala
Que aos heróis cabe e leva à clara esfera,
Onde eterna se faz a humana fala,

Onde os tempos não são esta quimera
Que apenas brilha e logo se esvaece,
Como folhas de escassa primavera,

Onde nada se perde nem se esquece,
E no dorso dos séculos trazido
O nome de Anchieta resplandece
Ao vivo nome do Brasil unido.”

Assim, o grande Joaquim Maria Machado de Assis percebe e revela que o nome de Anchieta está “ao vivo nome do Brasil unido”.

Fagundes Varela em “Anchieta ou o Evangelho das Selvas” é mais romântico e místico:

“Alma inspirada de Anchieta ilustre!
Espírito do apóstolo das selvas!
Sábio e cantor, luzeiro do futuro!
Tu, que nas solidões do Novo Mundo,
Sobre as alvas areias borrifadas
Das escumas do mar, traçastes os versos
Do ‘Poema da Virgem’ e ensinaste
Aos povos do deserto a lei sublime
Que ao Reino do Senhor conduz os seres,
Ensina à minha musa timorata
A linguagem celeste que falavas…”

Como Machado de Assis, Fagundes Varela se mostra impressionado com o feito do muito jovem Irmão José, conservando sua sanidade durante seu tempo de refém dos tamoios, aplicando-se a compor, em bom latim, com uma impressionante riqueza de alusões e citações bíblicas e patrísticas, dispondo apenas da Bíblia Vulgata e do seu Breviário, sem papel nem caneta, um poema de 5786 versos! Agora já o posso oferecer à Profa. Consuelo na sua 5a. edição em tradução vernácula pelo competente e inspirado empenho do Pe. Armando Cardoso, SJ, publicação das Edições Paulinas.

A memória dos antigos era mais treinada do que a nossa. Muito mais! A própria formação escolar incluía diárias “lições de memória”, onde chegavam a decorar longos poemas, textos famosos e até todo o Novo Testamento.

Mas Anchieta não é grande apenas por este feito literário. Todos sabemos como ele aprendeu rapidamente o tupi, humilde aluno dos curumins, bons professores, como todas as crianças, porque inocentemente impiedosas, prontas para rir dos esforços, erros e titubeios do estreante numa língua nova. Breve deu ao tupi uma grafia, um vocabulário, uma gramática e uma poética. É o pioneiro dos estudos de lingüistica no Brasil. Capaz de respeitar e valorizar o saber dos amigos tupis, também soube se fazer aprendiz dos pajés, iniciando uma coleção de receitas da flora brasileira, que veio a se constituir o cerne do patrimônio das famosas farmácias jesuítas do Brasil colônia, em particular da que existiu no ângulo do Terreiro de Jesus nesta Cidade mãe da Bahia, onde, a seu tempo, veio a existir a Faculdade de Medicina. Lembremos que o quinino – até hoje o único específico contra a malária – é contribuição da cultura brasilíndia para o mundo, coletada por jesuítas, influenciados pelo trabalho pioneiro de Anchieta em relação à flora medicinal brasileira, e levados até rio Tapajós pelo missionário Antônio Vieira.

Contudo, Anchieta não perdeu o discernimento diante da cultura indígena e pela sua amizade com os tupis da costa e vários tapuias. Não aprovava as guerras e guerrilhas constantes, nem o canibalismo ritual (às vezes um pouco fora do ritual também…), nem o abandono das crianças cujas mães morriam de parto, ou a poligamia, explicável, mas que coloca a mulher em situação de nítida inferioridade. Do lado dos colonos, Anchieta, amigo, pregador, confessor, muitas vezes enfermeiro e médico, também trabalhava contra a arrogância, o escravismo, os abusos sexuais, os batismos precoces ou forçados, a cobiça de fazer um patrimônio a custa do indígena e do africano.

Dizíamos que Anchieta aprendeu dos pajés a cultivar a riqueza da flora medicinal brasileira. Não sabemos com quem aprendeu também a velha arte cirúrgica dos barbeiros lusos, então os únicos cirurgiões habitualmente disponíveis. O fato é que, nas lutas pela expulsão dos franceses do Rio, ele usava a lanceta para extrair balas e pontas de flechas das carnes dos guerreiros de Estácio de Sá. Foi também o inspirador, organizador e fundador da Santa Casa do Rio de Janeiro, instituição existente até hoje e onde o pobre pode ter sua fisionomia restaurada gratuitamente pela admirável cirurgia plástica do Dr. Pitangui. Anchieta cuidou da saúde da sua gente de tantas cores, nossa gente ancestral, que começava a se fazer diferente, única, brasileira.

Que Anchieta cuidou da educação nós bem o sabemos, pois quem poderá esquecer os anos de mestre-escola no Colégio humilde de S. Paulo de Piratininga, nos começos singelíssima palhoça, erguida pela amizade dos caciques tupiniquins Caiubi e Tibiriçá. Ensinava latim, português e tupi aos curumins, aos mamelucos descendentes de João Ramalho, e aos filhos dos primeiros colonos.

Todos reconhecemos que há duas vertentes do catolicismo no Brasil, esta grande aragem de fé cristã, fundamental e majoritária. Uma vertente é solene em sua liturgia, simultaneamente atrativa e distante, forte na sua autoridade, de caráter europeu e estrangeiro. Outra vertente, é amiga, popular, doce, caridosa, solidária… De certo Anchieta tem muito a ver com esta vertente amabilíssima, ele o Superior dos jesuítas no Brasil contra o qual só se levantava a crítica de que era muito brando com os súbditos, censura logo temperada pelo reconhecimento de que, com esta brandura, ele sempre atingia os melhores fins pretendidos. Seu prestígio de conhecedor da terra e da língua, de médico prático e enfermeiro, de homem de fé e de bem, de Superior em vários cargos e lugares, muito contribuiu para que ele fosse imitado e seus métodos se impusessem por toda a costa brasileira e pelas entradas. Quem melhor o compreendeu terá sido o grande Jorge de Lima, médico e poeta como ele:

“Não sei – escreve ele – se a catequese do índio deu mais trabalho que a do civilizado.

O civilizado era o colono deformado, saído da plena vida heróica e façanhuda… as cartas de Anchieta e Nóbrega… repetiam-se cheias de reclamações, de queixas quanto ao descalabro, à vida sem governo e criminosa de toda a gente…

Se a dificuldade residia, pois, em fazer o colono reconhecer a religião e a autoridade eclesiástica, quanto ao índio toda a dificuldade era fazer-lhe conhecer a própria religião.

Outros povos receberam o cristianismo num nível, num plano de civilização, de preparo prévio que nos faltaram… Os outros povos tinham muita coisa, muita coisa para a conversão: tinham o pecado. O índio nem pecado tinha… Abriam a carcaça de um cristão como um menino abre um boneco…

E o processo mais prático, mais pedagógico, mais intuitivo não era fazer o índio compreender a religião: era primeiro fazer o índio gostar de religião.

Havia uma intenção montessoriana nos processos do Padre. De cinqüenta léguas em torno afluíam aimorés e tamoios para assistir a qualquer ato do missionário. O Mistério de Jesus, por ele composto e representado pelos índios da missão, foi um sucesso extraordinário entre a brugaria, Como só homens representavam no palco improvisado no meio da mata, um índio aparecia fantasiado de Nossa Senhora, enquanto outros representavam anjos e diabos, Nero, Júpiter, Guaxara, Saravana, S. Sebastião, S. Lourenço, o Cão Grande, o Gavião…

Ninguém ficava surpreso de ver Saravana de braço dado com a Virgem Maria… nos entreatos, S. Sebastião cachimbava com Júpiter. Os versos tupis soavam cadenciados… Anchieta, autor, ponto e contra-regra, dirigia as cenas. E, no fim do terceiro ato, vencidos os diabos, os imperadores e os maus espíritos da floresta, a indiaria embasbacada e depois exultante com o sucesso da representação, caía num fervor carnavalesco de treme-terra, cadenciado a passo de siricongado e ritmado pelos tambores, bombos, cateclás e curugus… Farta distribuição de espelhinhos, canivetinhos estampas aos pajés, vivas a Portugal, vivas ao Brasil…

Todo o mundo gostava de religião…”

Até aqui o encontro poético da prosa de Jorge de Lima, penetrando na personalidade meiga e forte, sábia e amiga de Anchieta, pai do teatro, da pedagogia de melhor cepa – sem palmatória nem vestibular – e da comunicação social no Brasil coberto de amenos verdores, campo de batalhas e maldades, mas onde se criava um fluir bom, capaz de chegar até nós, como realidade presente e inspiração para o futuro. Encontrarão o texto integral tanto na co-edição da Aguilar / MEC das “Obras Completas”, Rio de Janeiro 1974, 4o. vol., pgs. 105-167, quanto na “Poesia Completa”, Nova Fronteira, 2a. ed., Rio de Janeiro, 1980, pgs. 389-451.

Poeta, lingüista, pregador, historiador, naturalista, prático em medicina, cirurgia e farmácia, superior religioso, fundador de aldeias, cidades, colégios, também professor dedicado, Anchieta foi o inspirador e líder da construção da primeira estrada brasileira, o famoso “Caminho do Pe. José”, que ligou o planalto paulista ao litoral de S. Vicente e Santos pela escarpa verde e úmida da Serrado Mar, tarefa recordada pelo nome da famosa Via Anchieta.

Por mais genial que tenha sido o Pe. José, por mais simpática e santa que tenha sido e continue sendo sua figura, ele não foi um solitário. Pertencia a uma sociedade, a Companhia de Jesus. Foi, como os seus companheiros, a começar por Nóbrega, superior, amigo e mestre, discípulo de Cristo por meio de Inácio de Loyola, cujos “Exercícios Espirituais” formaram e formam os jesuítas, como também muitos outros cristãos nestes últimos 5 séculos.

Inácio é um mestre da contemplação. Para ele contemplar é uma atitude de vida, e não uma atividade ou inatividade reduzida a horas e locais sacralizados e penumbrosos ou a ambientes ecologicamente espetaculares. Contemplar, na sua escola exigente, começa por ver as pessoas, ouvi-las, reparar em como procedem, refletir e rezar a partir do que sente e percebe, para tirar algum fruto e proveito. O “contemplativo na ação”, segundo Inácio, também se habitua a colocar-se na cena, na situação vital contemplada, compartilhando, reagindo, compadecendo, alegrando-se com o outro e por causa do outro.

As pessoas, inacianamente falando, estão no mundo. Não jogadas aqui e ali, mas participando de uma unidade amada pelo Pai e Filho e Espírito Santo. Escreve Inácio nos EE 101ss:

“…como aqui as três Pessoas Divinas olham toda a superfície plana ou curva do mundo, cheia de homens, e como, vendo que todas desciam ao inferno, se determina, em sua eternidade, que a segunda pessoa se faça homem, para salvar o gênero humano… Ver a imensidão enorme e o globo do mundo, no qual se encontram tantas e tão diversas gentes… Ver as pessoas, umas após outras… em tanta variedade de trajes e costumes: uns brancos e outros negros, estes em paz, aqueles em guerra, uns chorando e outros rindo, com saúde uns e enfermos outros, uns que nascem e outros que morrem… Ver Nossa Senhor e o Anjo, que a saúda, e refletir para tirar proveito de tal cena”.

Assim entendemos que Anchieta, já antes de pisar nas praias desta mui nobre – de nascença nobre – Cidade da Bahia, já tivesse visto seus habitantes tão diversos à mesma luz, à luz da benevolência divina, e, como bom religioso, obediente às Constituições de sua Ordem, tenha imediatamente procurado as aldeias circunvizinhas para começar a aprender a língua da terra. A sua espiritualidade cristã, reforçada e reorientada profundamente pela experiência dos Exercícios de 30 dias feitos no Noviciado, ajudava-o a olhar como seus semelhantes os tupis e tapuias da Terra de Santa Cruz, ou os portugueses e castelhanos. Daí seus autos e poesia bilíngües e até trilingües. Daí sua estréia teatral em Piratininga ter sido, significativamente, com “O Auto da Pregação Universal”. Todos os seres humanos eram filhos amados por Deus, todos deviam ser servidos e reconciliados.

Para ele, como para os jesuítas em geral, e seus melhores homens em particular, como Xavier no Japão, De Nobili e S. João de Brito na Índia, Mateus Ricci na China, De Smet, mais recentemente, com as grandes tribos do “far west” americano, Cristo não é prisioneiro de uma cultura, preconceito ou classe. É preciso ir a todos na atitude do contemplativo, que, primeiro, procura conhecer com simpatia e consideração, para então, acolhendo o que for bom, deixando de lado o que for mau, sempre discernindo, ver o que é possível fazer.

Por isso mesmo, Anchieta não desclassificou Cunhambebe como feroz canibal a ser eliminado, embora não aprovasse seu gosto por churrasco de perna de gente, mas viu nele, nos pajés, nos tupis, tapuias, mamelucos, degredados, rudes colonos dos primeiros dias do Brasil nascente pessoas, gente amada pelo seu Deus de face humana, Jesus, encarnação das entranhas de misericórdia, ternura e compaixão do Altíssimo Onipotente e Bom Senhor, como já o chamava o pobrezinho de Assis, o bom S. Francisco. Como pessoas todos tinham valor e cultura aos olhos do Pai comum, antes mesmo que o Pe. José os tivesse conhecido. E ele realimentava, aprofundava e encontrava novas e insuspeitadas conseqüências desta espiritualidade e cosmovisão nos seus exercícios anuais de 8 dias cada. Aprendia neles, na escola do puro Evangelho, sem glosas nem retoques, a nada nem ninguém desprezar, mas “em tudo amar e servir” (EE 233).

Penso que na nossa cultura de hoje, tão marcada de autoritarismos, tão escassa de serviço autêntico às pessoas, mas ansiosa de fraternidade, embora recuse tantas vezes a Paternidade, os que tivermos, como Jorge de Lima, contemplado a aventura humana, cristã e santa do Bem-aventurado Pe. José de Anchieta, desejaremos que a cooperação humilde da Companhia de Jesus com as melhores forças da cultura brasileira continue sem cessar.

*- síntese da conferência proferida no dia 9 de junho de 1997 no IHGB,
por ocasião dos 400 anos da morte do Apóstolo do Brasil em Reritiba, atual Anchieta, no Espírito Santo, pelo Pe. Raul Pache de Paiva, SJ –