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Os membros da Igreja

118 Como são chamados dos membros da Igreja?

Os membros da Igreja são os fiéis, ou fiéis cristãos. A maioria é chamada de “leigos”. “Leigo” quer dizer membro do Povo de Deus. De fato, “povo” na língua dos Evangelhos, o grego, é “laós”: “leigo” é o indivíduo que pertence ao “laós”, isto é, ao Povo de Deus. Eles constituem o Laicato, portadores do Cristo ao mundo, vocacionados, em total união com Cristo Sacerdote, para evangelizarem e santificarem o mundo inteiro, sendo sal, fermento e luz (Mt 5,13-14; ver Lc 13,21 e 1Cor5,7-8)

Alguns, em benefício de todos, são vocacionados para servirem como pastores, conformados a Cristo, o Bom Pastor: constituem o clero, isto é, são os Padres e os Bispos. Eles recebem o Sacramento da Ordem, ordenados, destinados ao serviço dos irmãos e irmãs como sinais vivos do Cristo Cabeça do Corpo que é a Igreja.

Há membros da Igreja que se sentem chamados a viver uma vida particularmente consagrada: são denominados “os religiosos e as religiosas”. Destes alguns buscam uma vida de testemunho mais entregues à oração e ao trabalho: são os religiosos e as religiosas de “clausura”, isto é, que vivem em “conventos”, num ambiente reservado e retirado, mas muito hospitaleiro e acolhedor, aberto às alegrias e tristezas de todas as pessoas. Mostram ao mundo só Deus basta e que todos podemos procurar servir a Deus sobre todas as coisas. Entre eles, há também os que vivem uma vida de maior solidão, ou em comum, os monjes e monjas “cenobitas” (de vida em comum), que povoam os “mosteiros”, ou os e as eremitas, que vivem sozinhos, sozinhas nos “eremitérios”.

Recentemente, têm surgido a vocação de pessoas que vivem em suas famílias e profissões, mas se dedicam como os religiosos por votos ou promessas ao serviço, na Igreja, de Deus e do próximo: são os membros dos chamados Institutos Seculares (“secular” quer dizer “deste mundo” ou “deste tempo”). Uma variedade muito contemporânea são as chamadas “associações de vida apostólica”. Algumas delas admitem ou são constituídos de casais.

Enfim, a Igreja pode ser comparada ao campo do Senhor, onde Ele semeia uma bela e fecunda variedade.

119 Qual a missão dos membros da Igreja? A missão da a Igreja é católica, universal, isto é, para bem de toda a humanidade?

Como o Filho, Jesus, foi enviado pelo Pai, assim também ele enviou os Apóstolos (ver Jo 20,21), dizendo: Ide, fazei discípulos meus todos os povos batizando-os em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo quanto eu vos mandei. E eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo (Mt 28,18-20). Ou, como lemos outro lugar: Pregai o Evangelho a toda a criatura (Mc 16,15). Quem for discípulo de Cristo deve cuidar de ser sal da terra, sem perder a sua força e luz para o mundo, sem se deixar dominar pelas trevas (Mt 5,13-16).

120 Qual a missão dos leigos na Igreja?

Ela pode ser muito bem resumida com as palavras de Cristo ao homem que ele curou em Gerasa: “Vai para a tua casa e para os teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor fez por ti em sua misericórdia.” E (o homem curado) partiu e começou a proclamar na Decápole (sua região) tudo quanto o Senhor fizera por ele. E todos ficaram espantados (ver Mc 5,18-20).

A principal missão do leigo, então, é dar testemunho do Cristo e do Evangelho em sua família e em seu ambiente de moradia e trabalho. Por vocação própria, há leigos que atuam e vivem como voluntários, e até há os que deixam de ter família e deixam a sua terra e profissão para se darem totalmente ao serviço do próximo e da Igreja segundo o modelo de Jesus. Já nos primeiros tempos do anúncio do Evangelho, leigos até fundaram igrejas particulares, em grande comunhão com os Apóstolos (ver At 11,19-30). Foi graças ao ativo apoio de uma leiga, Santa Lídia, que a primeira comunidade e igreja cristã surgiu na Europa (ver At 16,11-15).

Como sal da terra, os leigos discípulos de Cristo se opõem à corrupção, que ataca as instituições deste mundo, também pela atividade política, assumindo responsabilidade pela coisa pública, como bons cidadãos da pátria terrestre, empenhando-se em instaurar o Reino de Deus, reino de verdade e justiça, amor e paz (ver Rm 14,7).

Eles anunciam, como o Cristo, um ano de graça do Senhor, imitando o Mestre da Vida, isto é: evangelizando os pobres, libertando os cativos, restituindo a liberdade aos oprimidos (ver Lc 4,18-19). Procedem como fiéis ao Senhor em tudo, sem se conformarem com este mundo (Rm 12,2).

121 Qual a missão dos religiosos e religiosas na Igreja?

Os religiosos e religiosas são pessoas cuja vocação é acolhida pela Igreja, que reconhece nelas o dom do Espírito Santo de seguirem a Cristo com o coração sem partilha, ocupando-se só das coisas do Senhor e do modo de agradar o Senhor, sem se casarem (ver 1Cor 7,32-34). Procuram assim devotar-se pela obediência a imitar particularmente Jesus que se fez obediente até a morte e morte de Cruz (Fl 2,8), abrindo mão de possuir bens materiais como próprios, e dando-se, a si mesmos e às coisas de que dispuserem ao serviço do Povo de Deus e da humanidade para seguir a Jesus segundo Seu apelo (ver Mc 10,21).

Os religiosos e religiosas fazem votos (promessas) de viver segundo os denominados “conselhos evangélicos”: pobreza, obediência e castidade.

Com permissão e acompanhamento da Igreja e dos seus legítimos pastores, alguns religiosos e religiosas podem viver sós, entregues à oração e trabalho: são os eremitas.

Outros vivem vida comum em “mosteiros”, “conventos” ou “casas”: são os cenobitas.

Os chamados “religiosos”, que vivem estavelmente num lugar, orando e trabalhando, exercendo a hospitalidade, a caridade e, muitas vezes, a educação, mas sempre atentos a darem tempo à busca de Deus e à vida segundo o Evangelho, são os monges e monjas.

Outros religiosos se dedicam, principalmente, à vida apostólica e missionária ou a serviços especiais em favor dos doentes, empobrecidos, abandonados, prostituídos, necessitados de saúde, instrução, educação e evangelização, acentuando, porém, fortemente os laços da vida comum em recolhimento e comunidade: são os conventuais. Há os que acentuam a missão e o serviço, formando “comunidades para a dispersão”, colocando em segundo plano os “atos comunitários” internos. Um exemplo deste tipo é constituído pelos padres e irmãos jesuítas, isto é, da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola.

Já os membros dos institutos seculares se esforçam por viver conforme os conselhos evangélicos, ajudando-se mutuamente, mas permanecendo em suas famílias e ambiente de trabalho. Vários são até mesmo casados.

Os religiosos podem ser leigos, isto é, não ordenados. Denominam-se, geralmente, “irmãos, irmãs”. Entre os religiosos, também há os que são ordenados e, assim, fazem parte do clero. Algumas comunidades ou congregações (às vezes chamadas “ordens”) são mesmo constituídas de Padres no todo ou em maior parte.

Toda essa diversidade manifesta a multiforme sabedoria de Deus (Ef 3,10) e como o Espírito sopra onde quer (Jo 3,8). Nela contemplamos a gloriosa liberdade dos filhos de Deus (Rm 8,21).

122 Qual a missão do clero na Igreja?

O Senhor Jesus Ressuscitado assim falou aos Apóstolos reunidos: Não vos compete saber dos tempos que o Pai fixou por própria autoridade. Mas recebereis uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós. Então, sereis minhas testemunhas desde Jerusalém, por toda a Judéia e Samaria, até os confins da terra (At 1,7-8).

Pedro tomou a iniciativa de encontrar alguém para tomar o lugar de Judas Iscariotes, enquanto permaneciam à espera de Pentecostes com algumas mulheres e Maria, Mãe de Jesus: “É necessário que algum destes homens que nos acompanhou por todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu em nosso meio … um destes se torne conosco testemunha de sua ressurreição … Lançaram sortes sobre eles e a sorte veio a cair em Matias, que, então, foi contado entre os Doze Apóstolos” (ver At 1,21-26).

A missão dos Apóstolos, além de ser testemunhas da ressurreição e colunas da Igreja (Gl 2,9), foi descrita de vários modos por Paulo: ministros da Nova Aliança (2Cor 3,6); ministros de Deus (2Cor 6,4); embaixadores de Cristo (2Cor 5,20); servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Cristo (1 Cor 4.1).

A Igreja, que estava em Antioquia, deu a Barnabé e Paulo a missão apostólica (At 13,1-3). Assim Paulo foi chamado para ser Apóstolo (Rm 1,1), especialmente apóstolo para os não judeus, isto é, os gentios (Rm 11,13).

Na tarefa de serem colunas da Igreja e testemunhas da Ressurreição os apóstolos são insubstituíveis, e só eles têm os nomes inscritos nos fundamentos ou alicerces da Cidade de Deus (Ap 21,14).

Contudo, os Doze, logo nos começos da Igreja, sentiram necessidade de reservar especialmente para si a pregação da Palavra, e por isso instituíram sete homens prudentes para ajudá-los nos serviços de organização e caridade da Igreja. Tendo orado, impuseram-lhe as mãos aos escolhidos (ver At 6,1-7). Este foi o início da ordem dos diáconos (1Tm 3,8) na Igreja.

Diácono significa é aquele que serve: os Sete tinham a tarefa de cuidar da alimentação diária das viúvas pobres da comunidade.

Também muito cedo vemos, associados aos Apóstolos os anciãos, isto é, presbíteros (AT 15,6), ajudando-os a resolver importantes questões para a vida e o futuro da Igreja.

Paulo ordena para o trabalho apostólico e missionário, pela imposição das mãos (2Tm 1,6), a Timóteo, a quem encarregou de cuidar da Igreja de Éfeso (1Tm 1,3) para esclarecer os fiéis diante dos que pretendiam passar por doutores da Lei (1Tm 1,7), dando-lhe instruções (1Tm 1,18) para que zelasse por várias situações e categorias dos membros da comunidade. Nesta carta são usados os títulos de epíscopo (ou seja, bispo) e, também, o de diácono (ver 1Tm 3,1-13). É bem claro que o bispo tem autoridade apostólica para cuidar da Igreja de Deus (1Tm 3,5).

Também Tito recebe de Paulo a missão de organizar a Igreja em Creta, instituindo presbíteros em cada comunidade (Tt 1,5).

Paulo não fala da diferença entre os presbíteros e o epíscopo (ou seja, o bispo), mas ambos devendo ter qualidades semelhantes (ver Tt 1,5-9). Eles devem ser sustentados pelos fiéis, pois se dedicam a eles, governando a Igreja e dando-lhe o ensino e a pregação (1Tm 5,17).

Em Éfeso, Paulo fala aos presbíteros da Igreja local (At 20,17). Tiago (5,4-5) ensina que os presbíteros devem ser chamados para orar e ungir os doentes, a fim de lhes obter a cura (ver Mc 6,5 e 12).

Assim a Igreja foi reconhecendo o seu poder de organizar o serviço ou ministério sagrado, exercido por missão do próprio Cristo, em três ordens: Bispos, Presbíteros e Diáconos. Os Presbíteros são chamados, geralmente, de Padres. Pedro mesmo se considera um dos presbíteros, e assume como modelo Cristo, o supremo Pastor (1Pe 5,1-5): logo os presbíteros participam da missão de Pedro de cuidar do rebanho de Cristo (Jo 21,15-17).

Associados, portanto, a Cristo Pastor, os Bispos e Presbíteros estão ligados a Cristo Cabeça do Corpo que é a Igreja, participando do seu único e eterno sacerdócio (ver Hb 4,14-5,10). Embora todos os cristãos, pelo dom do batismo, participem do povo escolhido, régio e sacerdotal (1Pe 1,9), dedicados a um sacerdócio santo (1Pe 1, 5), o sacerdócio dito comum a todos os fiéis, os Bispos e Presbíteros representam o Cristo Cabeça da Igreja e são os pastores legítimos do Povo de Deus, exercendo o sacerdócio dito ministerial.

123 Qual a missão dos Bispos na Igreja?

Os Bispos são enviados não em nome de grupos ou de si mesmos ou de comunidades, mas em nome do Senhor: Pedro mesmo se chama apóstolo de Jesus Cristo (1Pe 1,1). Do mesmo modo Tiago (Tg 1,1) ou Paulo, apóstolo de Deus por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus, nossa esperança (1Tm 1,1).

Este dom da graça que está neles foi-lhes conferido pela imposição das mãos no presbitério, por profecia (ver 1Tm 4,14), isto é, por força da palavra de Deus e da atuação do Espírito Santo.

Unidos ao Papa, o Bispo de Roma, o sucessor de Pedro, eles cuidam da Igreja de Deus (1Tm 3,5), capazes de ensinar a sã doutrina, refutando os que a contradizem (Tt 1,9; 1Tm1,10), constituem os presbíteros para o serviço das comunidades (Tt 1,5). Portanto, como Cristo, o Bom Pastor, eles devem pastorear o rebanho de Deus que lhes foi confiado … não como dominadores mas como modelos do rebanho (ver At 20,28 e 1Pe 5,2-3).

Tendo de nutrir o rebanho, eles presidem a Ceia do Senhor, a Eucaristia, servindo aos fiéis o Pão da Vida, Jesus Cristo, e zelando pela boa ordem das assembléias, como vemos Paulo fazer junto à Igreja em Corinto (1Cor 11,17-34), segundo as tradições transmitidas na Igreja (1Cor 11,2), e recebidas do Senhor mesmo (1Co 11,23). Eles participam e comunicam a autoridade apostólica de ligar e desligar, em particular, reter ou absolver os pecados (ver Jo 20,19-23).

Sucessores dos Apóstolos, os Bispos, unidos a Pedro, isto é ao Bispo de Roma, que costumamos chamar “Papa” (ou seja “meu Pai”, “Papai”), gozam de infalibilidade. Isto é: a comunhão dos Bispos ou o “colégio” episcopal não pode errar quando ensina à Igreja, pois eles devem confirmar os irmãos na fé, conforme a palavra do Salvador a Pedro mesmo: Simão, Simão, Satanás pediu insistentemente para te peneirar como trigo! Mas eu orei por ti para que a tua fé não desfaleça. Tu, porém, quando te converteres, confirma os teus irmãos (Lc 22,32). Por isso eles podem e devem lutar contra os erros e enganos que ameaçam o rebanho de Cristo (ver 2Tm 4,1-4).