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Os quarenta mártires do Brasil, afogados no meio do Atlântico: 17 de julho

Martírio dos 40 Mártires: reprodução artísitica da visão de Santa Teresa

Os 40 mártires do Brasil

Davi Mendes Caixeta, SJ

A Igreja, no dia 17 de julho, faz memória aos 40 mártires do Brasil. No entanto, essas 40 pessoas que foram assassinadas por causa da Fé não tinham sido nascidas em terras brasileiras. Nenhuma delas sequer conseguiu chegar até nossas praias. Essa contradição faz com que nos perguntemos: como é possível celebrar esses beatos como “do Brasil”, se eles nem pisaram em solo brasileiro?

Esses mártires eram religiosos, membros da Companhia de Jesus. O líder do grupo foi o Pe. Inácio de Azevedo, português nascido nos arredores da cidade do Porto, em 1527. Inspirado pelas pregações dos jesuítas sobre os grandes feitos realizados pelos missionários nas terras além do oceano, Inácio de Azevedo, aos 22 anos, decidiu ingressar na Companhia de Jesus.

Após o período de formação como padre jesuíta, o superior geral da Companhia de Jesus, São Francisco de Borja, em fevereiro de 1566, enviou Inácio ao Brasil como “Visitador”, devendo conhecer os jesuítas que aqui trabalhavam e ver o que precisavam. Ele chegou à Bahia em agosto daquele mesmo ano. No Brasil, conheceu as atividades dos jesuítas junto aos índios e também acompanhou a fundação dos colégios em diversos lugares.

A “visitação” durou dois anos e, em 1568, Pe. Inácio precisou regressar a Lisboa. Depois desse tempo no Brasil, o espírito missionário ficou ainda mais ardente no seu coração. Ele voltou à Europa com o desejo de organizar uma grande expedição missionária, com jesuítas de diversos países, para trazer a Boa- Nova a todos que habitavam nossas terras. Inácio de Azevedo percorreu diversos lugares, convidando padres, irmãos e noviços para abraçarem essa missão. Em 1570, estavam reunidos mais de 80 jesuítas, em Val de Rosal, perto de Lisboa, preparando-se para a grande viagem ao Brasil.

Em 2 de junho de 1570, as naus que levavam a expedição do Governador do Brasil partiram de Lisboa, com 73 jesuítas mais outras pessoas para povoar a nova terra. Em 12 de junho, chegaram à ilha da Madeira, onde permaneceram um tempo para carregar e descarregar mercadorias. Em 30 de junho do mesmo ano, a nau Santiago, que levava Inácio de Azevedo mais 39 jesuítas, saiu rumo ao Brasil.

Os missionários passavam pelas ilhas Canárias, quando a nau enfrentou uma calmaria. Nesse momento, surgiu uma frota de piratas franceses, liderados pelo temido Jacques Sória. Os invasores tomaram o navio português com a ordem de matar todos os missionários. O primeiro a ser atingido foi o Pe. Inácio de Azevedo, que apareceu com um quadro de Nossa Senhora nas mãos e levou um golpe na cabeça. Em seguida, mataram os demais jesuítas, exceto um que foi substituído pelo sobrinho do capitão. Esse jovem de grande coragem tinha o desejo de se tornar jesuíta, foi aceito e também morto por amor a Cristo.

Quando a notícia dessa tragédia chegou à Bahia, celebraram-se solenidades em honra aos mártires, dando-lhes o título de Padroeiros do Brasil. As celebrações continuaram pelos anos seguintes. Em 1854, o Papa Pio 9º confirmou a memória litúrgica do Beato Inácio de Azevedo e seus 39 companheiros.