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Os Santos Inocentes (28 de dezembro)

santosinocentesSão Mateus narra a chacina das crianças de Belém (Mt 2,13-18). A celebração destes “santos inocentes” por ordem do perseguidor, o rei Herodes, tem uma história muito antiga na liturgia da Igreja. Por volta da metade do século 5º, São Pedro Crisólogo já se referia a ela. No calendário da Igreja em Cartago, no século anterior, ela já constava. Os Inocentes são mártires, pois foram mortos por causa de Jesus, por ódio ao Messias. São inocentes, porque não tinham culpa nenhuma.

Herodes era famoso pela crueldade. Foram matanças contra assaltantes que o levaram ao trono, por determinação dos romanos, que queriam ordem a todo custo no Império. Assassinou, por ciúmes, a princesa Mariane, descendente dos Macabeus, que ele, porém, amava. Mandou matar três dos próprios filhos, por receio de que conspirassem para tirá-lo do trono. O Imperador Augusto teria comentado, fazendo um trocadilho em grego: “É melhor se porco (“hys”) de Herodes, do que filho (“hyos”).
A cidadezinha de Belém teria uns mil habitantes no tempo do Nascimento de Jesus. Portanto deveria haver cerca de quarenta meninos de dois anos para baixo. O poeta Prudêncio os chama de “flores dos mártires”, flores que enfeitaram o berço do Redentor.
Alguém censurou São José por não ter avisado ao povo de Belém a respeito do seu sonho. A pergunta fica: quem teria acreditado num pobrezinho, desconhecido na cidade, e que viesse acordá-los falando de anjos e sonhos? Se não crêem no Ressuscitado, por que acreditariam no humilde operário de Nazaré?
São Mateus, no seu relato, recorda uma passagem do Profeta Jeremias: “Raquel chora seus filhos”. Na profecia, Raquel simboliza as mães de Israel, que choravam os seus filhos, deportados pelos assírios, membros das tribos de Efraim, Manassés e Benjamim. Sempre haverá mães chorando, enquanto nossos corações se deixarem endurecer no desprezo ao Amor, que se fez carne e habitou entre nós. Este desprezo nasce de um amor exagerado a si próprio, egoísmo, apego ao poder, a ponto de nada respeitar, muito menos a vida humana. Isto é um amor infernal! Deus nos livre deste mal terrível, por intercessão dos Santos Inocentes.