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Papa Francisco, “Entrevista exclusiva do Papa Francisco ao Pe. Antonio Spadaro, SJ”

Papa Francisco, “Entrevista exclusiva do Papa Francisco ao Pe. Antonio Spadaro, SJ”, Paulus / SP & Loyola / SP, 21×14, 37 pp.

O Entrevistador é jesuíta que trabalha na “La Civiltà Cattolica”, revista de cultura, publicada em Roma. De modo familiar e simpático, muito pessoal, conta seu encontro marcado com o Papa para esta entrevista, dos assuntos tratados antes de ligar o gravador, quando o Papa mencionou sua surpresa pelos eventos da JMJ-RIO, confessando sua facilidade de lidar com pessoas, face a face, e a dificuldade de se comunicar com massas. A primeira pergunta foi: “Quem é Jorge Mário Bergoglio?”. O Papa refletiu, mas se definiu como “um pecador”, e frisou que este não era um modo de dizer, “um gênero literário”. Acrescentou que se vê “Um pouco astuto”, mas também “um pouco ingênuo”. Revela, depois, sua contemplação do quadro de Caravaggio na Igreja de São Luís dos Franceses, em Roma, como o impressionava o forte aperto de mão de Mateus na sacola de dinheiro e o dedo de Jesus apontando para ele. Foi esta imagem que lhe veio quando foi eleito e lhe perguntaram se aceitava o pontificado. Então disse de si para si, inspirado na cena evangélica: “Sou pecador, mas confiado na misericórdia e paciência infinita de Nosso Senhor Jesus Cristo, confundido e em espírito de penitência, aceito”. Neste estilo, aberto e despojado, de quem é sincero sem afetação, seguem-se as respostas, dando-nos um retrato também interior, bem vivo do atual Papa, uma das lideranças incontestes do nosso complicado mundo. Mas nem só de perguntas e respostas consta o texto: Pe. Spadaro tece seus comentários, faz com que visualizemos as reações até faciais do Santo Padre. Leiamos este texto da página 15: “Depois de breve pausa de reflexão, o Papa Francisco torna-se sério, mas muito sereno: ‘Na minha experiência de superior na Companhia, para dizer a verdade, nem sempre me comportei assim, ou seja, fazendo as necessárias consultas. E isto não foi uma boa coisa. O meu governo como jesuíta, no início, tinha muitos defeitos (…) Tinha 36 anos: uma loucura. Era preciso enfrentar situações difíceis, e eu as tomava de modo brusco e individualista (…) As pessoas acabam por se cansar de autoritarismo. O meu modo autoritário e rápido de tomar decisões levou-me ater sérios problemas e a ser acusado de ultraconservador…'”. Mesmo os não católicos apreciarão muitíssimo a leitura destas páginas calorosas e vitais.