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Preparação, fidelidade, casamentos impossíveis

Casamentos bem preparados, casamentos impossíveis, fidelidade, etc

 

204 Então, os cristãos devem zelar para que os casamentos sejam bem preparados?

Sem dúvida! Sempre é melhor prevenir do que remediar. Por isso mesmo o “Catecismo da Igreja Católica” promulgado por Sua Santidade o Papa João Paulo II relembra vários pontos importantes e os resume deste modo:
• O exemplo e o ensinamento dos pais e da família continuam sendo o caminho privilegiado desta preparação.
• O papel dos pastores e da comunidade cristã como `família de Deus é indispensável … mais ainda porque, em nossa época, muitos jovens conhecem a experiência de lares desfeitos.
• Os jovens devem ser instruídos convenientemente e a tempo sobre a dignidade, a função e o exercício do amor conjugal, a fim de preparados pelo cultivo da castidade, possam passar, na idade própria, do noivado honesto às núpcias (no. 2206).

205 Cite uma passagem das Escrituras, que seja útil para nos inspirar uma boa preparação para o casamento.

A previsão pastoral da Igreja pode ser enriquecida pela seguinte passagem do Livro de Tobias:
Quando Ragüel e Edna (os pais de Sara), saíram, fecharam a porta do quarto. Tobias se levantou da cama e disse a Sara: “Mulher, levanta-te. Vamos rezar, pedindo que nosso Senhor tenha misericórdia de nós e nos proteja. E assim rezou: Bendito és, Deus de nossos pais, e bendito seja o Teu Nome para sempre! Que Te bendigam os céus e todas as criaturas pelos séculos sem fim! Tu criaste Adão e, como ajuda e apoio, criaste sua mulher, Eva. Dos dois nasceu a raça humana. Tu disseste: “Não é bom que o homem esteja sozinho. Vou fazer-lhe alguém como ele, que o ajude. Se eu caso com esta minha irmã (amada, noiva, esposa), não busco satisfazer minha paixão, mas procedo lealmente. Digna-te ter piedade dela e de mim, e faze-nos chegar juntos à velhice (Tb 8,5-10).

206 Qual o ato essencial do sacramento do matrimônio? Quem são os ministros deste grande sacramento?

O sacramento do matrimônio se realiza pela manifestação do livre consentimento de duas pessoas, no qual homem e mulher, legitimamente capacitados para este ato, por aliança irrevogável, entregam-se e recebem-se um ao outro para constituir família. Este ato é o que constitui o matrimônio. Noutras palavras: o ato essencial do matrimônio é o “sim” mútuo que se dão, livremente, os noivos.

A Igreja quer que a celebração seja pública, na presença do ministro assistente (Sacerdote, Diácono ou Leigo/a credenciado devidamente), das testemunhas e da assembléia dos fiéis. O ministro é apenas assistente, isto é, testemunha qualificada do casamento em nome da Igreja. Quem realiza o matrimônio, os ministros do sacramento do matrimônio, são os próprios noivos, que dão e recebem um do outro o consentimento matrimonial.

207 Por que muitos Párocos pedem aos noivos que se preparem para a celebração do casamento por uma boa confissão?

A boa preparação para este grande ato litúrgico pede também que os noivos recorram ao sacramento da penitência e invoquem com fé o Espírito Santo, a fim de receber o sacramento como selo de comunhão do Cristo com a Igreja, fonte fecunda do amor de caridade, amor que jorra como fonte de água viva para a vida eterna (Jo 7, 37-39).

208 O que diz a Igreja sobre o divorciado “recasado”?

O “novo casamento” do divorciado ou separado com o esposo (esposa) ainda vivo (viva) contraria a palavra de Jesus, que a Igreja mantém fielmente: O que Deus uniu, o homem não separe (ver Mt 19,5-6). Por isso, estas pessoas não podem comungar, enquanto continuarem nesta situação.

Entretanto, é vivamente desejável e muito recomendado que ele procure viver uma vida cristã digna e operosa em tudo o que puder, educando bem os seus filhos na fé, com o apoio e a oração da comunidade, até que cheguem, pela graça de Deus a dar os passos necessários para viverem conforme a Palavra do Senhor sobre este ponto.

Em muitas situações, será melhor encorajar a separação do casal irregular, sobretudo em situações em que o “recasamento” não tem filhos e apresenta sérios prejuízos. Do mesmo modo quando o Confessor perceber que o Espírito inspira a decisão dos dois de viver separação de leitos (renunciando às relações sexuais).

A experiência mostra, também, que há muitos casos em que o Pároco, com toda a caridade e a prudência pastorais, deve encorajar a que encaminhem a causa ao juízo da Igreja (ao tribunal eclesiástico) pois é bastante comum que um casamento aparentemente válido, de fato tenha sido nulo.

209 A união sexual é fundamental no casamento? Quais são os bens do matrimônio conforme o plano de Deus?

Sim, a relação sexual é essencial no casamento, porque a bênção do casamento, desde o princípio, visava a família e a humanidade: Sede fecundos e multiplicai-vos. Enchei a terra (Gn 1,28).

Mas este não é o único bem visado no plano de Deus para o matrimônio do homem e da mulher. Como diz S. Paulo: O marido cumpra o dever conjugal para com a sua esposa; a mulher faça o mesmo com relação ao marido. A mulher não dispõe do seu corpo, mas é o marido que dispõe. Do mesmo modo o marido não dispõe do seu corpo, mas é a mulher que dispõe. Não vos recuseis um ao outro a não ser de comum acordo e por algum tempo, a fim de vos dedicar à oração, depois disso voltai a unir-vos para que Satanás não vos tente mediante vossa incontinência (1Cor 7,3-7).

Por isso a Igreja tem firmemente ensinado que há dois bens visados no matrimônio: o bem dos filhos e o bem da união numa só carne do homem e da mulher. Não se pode excluir deliberadamente nenhum destes bens dados e queridos pelo Criador.

210 As pessoas estéreis podem celebrar o sacramento do matrimônio? E as pessoas impotentes?

As pessoas estéreis podem viver o matrimônio pois podem viver o bem da união numa só carne em mútuo auxílio, embora estejam limitados a não ter filhos pela natureza.

Os impotentes sexuais, quer por motivos físicos, quer por motivos psicológicos não podem receber o sacramento porque são naturalmente incapacitados para usufruir os dois bens do matrimônio: gerar novas vidas e a união numa só carne. Se uma mulher vive com um impotente, esta sociedade, na verdade, não é um casamento, embora possa ser tido assim pela legislação civil de algum país.

212 Por que o amor fiel é tão importante no casamento católico?

Porque a fidelidade é um desejo profundo e essencial do coração humano. Nada o machuca tanto quanto a infidelidade e a traição:
• Até o meu amigo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou o calcanhar contra mim! (Sl 42/41,10);
• Se um inimigo me insultasse, eu poderia suportá-lo … mas és tu, um homem como eu, meu amigo, meu confidente, a quem em unia uma doce intimidade na casa de Deus! (Sl 55/54,13-15).

Além disso, o bem da educação dos filhos pede, quanto possível, a presença do pai e da mãe. A fidelidade dos pais é uma bênção para os filhos.

Nosso Senhor ama o servidor fiel e prudente e lhe confia sua casa (Mt 24,25). Jesus elogia a fidelidade: Porque foste fiel no pouco, também será fiel no muito (Lc 16,10). Constantemente, Paulo chama Deus de fiel: Deus é fiel (1 Cor 1,9; 4,2; 10,13; 1 Ts 5,24 etc.). Ainda quando somos infiéis a Deus, ele permanece fiel a nós (2 Tm 2,13). Jesus é fiel e justo para nos perdoar (1Jo 1,9). Ele é a fiel testemunha, o primogênito de muitos irmãos (Ap 1,5), e nos convida a sermos fiéis até a morte (Ap 2,10), para triunfarmos com ele o Fiel e Verdadeiro (Ap 19,11).

212 Mas, neste caso, é quase impossível as pessoas comuns se casarem?

A fidelidade é um valor central para a vida da família cristã e de toda a família humana. O homem e a mulher são profundamente desejosos de fidelidade e capazes de fidelidade, pois são imagem e semelhança de Deus Fiel. Isto não quer dizer que o casamento possa ser vivido conforme o plano original do Criado, restaurado por Jesus segundo o Evangelho, sem que o casal tenha vivido uma sincera conversão. A vida nova do cristão começa pela conversão: Arrependei-vos e crede no Evangelho (Mc 1,15).

213. Por que a Igreja se esforça para que as leis civis dos vários países reflitam os valores do matrimônio segundo o Evangelho?

A Igreja sabe que os desígnios de Deus não se limitam às fronteiras visíveis da Igreja enquanto instituição nesta terra, mas abrangem toda humanidade. Com efeito, o Espírito sopra onde quer (Jo 3,8), Jesus tem outras ovelhas que não são deste rebanho (Jo 10,16) e Cristo é Luz para toda pessoa que vem a este mundo (Jo 1,9). Ele acendeu a luz do Evangelho para ser posta em lugar alto e iluminar todos os que estão na casa e luz do mundo (Mt 5,13-16). Somos, por isso mesmo, enviados a todas as nações para ensinar tudo quanto Jesus nos ordenou (Mt 28,18-20).