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“Quando Israel era uma criança” – fala o Pai nosso!

“31 Dias no Amor de Deus” – continuação

7º DIA

O Amor chama o Filho

Talvez uma das declarações mais belas de Deus no seu amor por nós esteja na profecia de Oséias:

“Quando Israel era criança, Eu o amei, e do Egito Eu chamei o meu filho. Porém, quanto mais Eu os chamava, mas eles se afastavam de Mim. Ofereciam sacrifícios aos Baals, queimavam incenso em honra dos ídolos, No entanto, Eu tinha ensinado Efraim a andar, pegava-o nos meus braços, e não compreenderam que Eu cuidava deles! Eu os atraía com atrativos humanos, com enlaces de amor. Eu era para eles como os que erguem um bebezinho nos braços e o acarinhavam em seu rosto. Eu me debruçava sobre ele e lhe dava de comer” (Os 11,1-4).

Há outras palavras de amor de nosso Deus bem parecidas com esta e que faz bem ao coração conhecer e relembrar. Por exemplo, em Isaías:

“Como alguém é consolado por sua mãe, também Eu vos consolarei” (Is 66,13).

Outro exemplo de palavras tão maternais e carinhosas, desta vez no Cântico dos Cânticos. A criatura amada por Deus sente seu abraço:

“Seu braço esquerdo apóia minha cabeça e seu braço direito me envolve” (Ct 8,3).

Assim é o Amor: carinhoso, cuidadoso, cheio de ternura. Nunca o Amor de verdade, o Amor “p’ra valer”, nunca o Amor-amor será opressivo, mandão. Por isso ele chama! Ele apela e aconselha: “Do Egito chamei o meu filho”. Mas o filho pode escolher os brilhantes bezerros de ouro, obras de suas próprias mãos (Ex 32,8), os Baals dos povos cananeus, fenícios e sírios, moradores de antigas cidades!

Mães, pais, educadores e amigos humanos têm vivido esta terrível experiência: aquele bebê que ninaram e cuidaram se transforma numa pessoa adulta que se afasta. Ainda os trata com certa amizade – às vezes – mas seguem seus rumos com falsos amigos e não suportam o doce ritmo do amor. A aparente força das cidades cananeias, o passageiro poder dos faraós, seduzia o coração dos filhos de Israel. Foram chamados da “casa da servidão”, o Egito (Ex 20,2) para festejarem a liberdade, dom de Deus. Contudo, sentiam falta das carnes, temperadas com gostosas cebolas, com que o faraó alimentava sua mão de obra escrava. Disseram:

“Quem nos dará carne para comer? Bem nos lembramos dos peixes que comíamos de graça, lá no Egito! Dos pepinos, dos melões, dos alfaces, das cebolas e dos alhos…” (Nm 11,5).

Hoje em dia, também nossos corações procuram religiões que prometem prosperidade material, profissões e investimentos, que prometem rendimentos, governantes, que prometem fartura. O bezerro de ouro nos fascina e afasta de Deus. Mas Ele, que nos chamou do Egito, da “casa da servidão”, nunca desiste de nós, como nós desistimos dele:

“Meu povo vive na dependência de sua apostasia (do abandono da verdadeira Fé). São chamados para o Alto, mas nem um só deles se levanta. Como Eu poderia abandonar-te, Efraim? Como eu poderia entregar-Te aos outros? Como iria Eu te tratar como Adamá? Como Eu poderia te fazer igual a Seboim? Dentro de mim meu coração se comove e minhas entranhas se agitam de emoção! Não darei vazão ao ardor de minha cólera, não tornarei a destruir Efraim, porque Eu sou Deus, e não um homem. No meio de ti – meu povo – Eu sou o Santo, e não hei de vir com furor!” (Os 11,7-9).

Com paciência, Deus, nosso Pai, nos vai educando para a liberdade. No passado nos chamou do Egito. A seu tempo, Deus chamou do Egito Seu Único, “nascido de Mulher, nascido súdito da Lei, para resgatar os súditos da Lei, e assim fazer de nós filhos adotivos. E a prova de que sois filhos é que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: ‘Abá – Papai’. Portanto, tu não és mais escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro: tal é a vontade de Deus” (Gl 4,4-7). A educação para a liberdade é a educação para sermos filhos. Por isso, o Pai nos enviou o Filho, nascido em Belém de Judá, que viveu o peso do Egito, a ponto de São Mateus recordar Oséias no seu belo Evangelho da Infância:

“Um Anjo do Senhor apareceu em sonho a José, dizendo: ‘Levanta! Toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egito. Permanece lá até eu te avisar, porque Herodes procura o Menino para o matar’. José se levantou, tomou consigo o Menino e sua Mãe e retirou-se em direção do Egito, Lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que o Senhor tinha dito pelo Profeta: ‘Do Egito chamei o meu Filho’…” (Mt 2,13-15).

Jesus criança, com seu Pai de adoção, José, e sua Mãe, Maria, partilhou da nossa sorte. Afinal um irmão, que ama, vai procurar os irmãos onde eles estiverem, mesmo na “casa de servidão”. Assim este Irmão, que ama de verdade, se faz nosso próximo, do único jeito possível de se fazer próximo: chegando perto de onde estamos, perdidos em nossas ilusões de que a riqueza e o poder, os faraós e os ídolos deste mundo, podem nos salvar e dar garantia de vida.

Deus chamou Israel do Egito para fazer dele um povo testemunha. Entre tantas poderosas nações, que o fascinaram e até fizeram pecar, Israel permaneceu um sinal de que os reinos desta terra são divididos por suas ambições e orgulho, mas o Reino de Deus vai acontecendo mansamente e que nada pode nos separar do Amor de Deus Fiel (1Cor 1,9).

Fazemos coisas terríveis, temos escolhas desastrosas, perdemos o rumo de nossas vidas com adultérios e insanidades, mas Deus é Deus e não homem: “No meio de ti – meu povo – Eu sou o Santo, e não hei de vir com furor!” (Os 11,7-9).

Por isso Jesus veio, não como os falsos líderes, mentirosos “salvadores da pátria”, “libertadores” que se tornam ditadores. Ele nasceu em Belém, pobre entre os pobres, morreu crucificado como os escravizados por Roma Imperial, viveu como desprezado galileu, “sem ter onde pousar a cabeça” (Mt 8,20). Na verdade, seu Reino “não é deste mundo”, do modelo dos tipos deste mundo, simplesmente porque Ele é manso e humilde de Coração (Mt 11,29), Amigo fiel e verdadeiro, “que veio dar a vida em favor dos seus amigos” (Jo 15,13).

Por isso, Ele é bom e nos salva (salvando nossos corações do brilho mentiroso dos “podres poderes” deste “mundão”) ficar diante de Deus Menino, Menino Luz lá no Presépio, com os olhos do coração, e cantar:

“1. VINDE CRISTÃOS, vinde à porfia,/ hinos cantemos de louvor,/ hinos de paz e de alegria,/ hinos dos anjos do Senhor:

Glória a Deus nas alturas!

  1. Foi nesta noite venturosa/ do nascimento do Senhor,/ que anjos de voz harmoniosa,/ deram a Deus o seu louvor.
  2. Vinde juntar-vos aos pastores,/ vinde com eles a Belém!/ Vinde, correndo pressurosos;/ o Salvador, enfim, nos vem!”

* Pe. R. Paiva, SJ & Teresa Cristina Potrick (Orgs.),  Cantar e Celebrar, Loyola / SP 2007, p. 23.