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Quaresma: tempo de pensar e rezar sobre o amor até o fim!

Leitura orante
Exortação ao Martírio por Orígenes (século III)
Segunda Leitura do Ofício das Horas
Memória dos Santos Mártires Marcelino e Pedro

Estes dois mártires sofreram no tempo do Imperador Diocleciano. O Papa Dâmaso soube do lugar exato num bosque por informação do próprio carrasco. Recolhidos suas relíquias e sepultadas, acima do túmulo veio a ser erguida a basílica em honra deles.

Se passamos da morte para a vida (ver Jo 3,14), ao passarmos da infidelidade para a fé, não nos admiremos se o mundo nos odeia!

  • Jesus, será que temos fé? Apesar de batizados e até tendo comungado Teu Corpo e Sangue, temos fé? Nossos tempos parecem novamente pagãos e ateus. E tantos e tantos querem se conformar com as modas e as volúvel opinião pública, a mesma que fez gritar a turba: “Crucifica! Crucifica! Não temos outro rei senão César!”.(Jo 18,15). Creio, Senhor, mas aumenta a minha fé (Mc 9,24)!

Quem não tiver passado da morte para a vida, mas permanecer na morte, não pode amar aqueles que abandonaram a tenebrosa morada da morte para entrar na morada feita de pedras vivas (ver 1Pd 2,5), onde brilha a luz da vida!

  • Cristo, Tu és Deus de Deus, Luz da Luz! Cantamos: “A Luz resplandeceu, em plena escuridão, jamais irão as trevas vencer a escuridão!”. Brilhe a Tua Luz, hoje, e rompa a nossa cegueira! Cristo, Pedra Fundamental, faze que sejamos edificados sobre Ti, como Igreja Santa! Nada nos arranque desta construção, que o próprio inferno não pode destruir!

Jesus deu a Sua vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida, não digo por Ele, mas por nós, por aqueles que serão construídos, edificados, pelo nosso martírio (ver 1Jo 3,16).

  • Dói perceber que nem em mim, nem em volta de mim vejo desejos de martírio. Nossa geração tem medo do sofrimento. Muitos se dizem ateus, porque não podem suportar a realidade do sofrimento e do mal no mundo. Creem a morte, e não na vida. Mas, por outro lado, como têm lembrado os Papas recentes, nossos dias talvez tenham mais mártires do que os antigos, sob os Imperadores romanos. Acende em nossos corações desejo de dar a vida por Ti e por nossos irmãos e irmãs! Abrasa nossa caridade na força bonita do Santo Espírito do Pai!

Chegou o tempo, cristãos, de nos gloriarmos! Eis o que está escrito: “E não só isso, pois nos gloriamos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança, e a esperança não decepciona. Porque o Amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,3-5).

  • Jesus, por intercessão do Apóstolo, eu Te suplico, não só por mim, mas por todos, que tenhamos tais corações que nos gloriemos das cruzes de cada dia (ver Mt 16,24)! Tira de nossos peitos o medo do trabalho, do cansaço, das subidas e escaladas! Leva-nos pelo Teu caminho, o caminho da Santa Cruz! Que cantemos com verdade a antiga poesia: “O meu coração é só de Jesus, a minha alegria é a Santa Cruz!”.

Se, à medida que os sofrimentos de Cristo crescem para nós, cresce também nossa consolação por Cristo (ver 2 Cor 1,5), acolhamos com entusiasmo os sofrimentos de Cristo. E que eles sejam muitos em nós, se desejamos realmente obter a grande consolação reservada por todos os que choram. Talvez, ela não seja de igual medida para todos, pois, se assim fosse não estaria escrito “à medida que os sofrimentos de Cristo crescem em nós, cresce também nossa consolação”.

Aqueles que participam dos sofrimentos de Cristo, participarão também da consolação que Ele dará em proporção aos sofrimentos suportados por Seu amor. É o que nos ensina aquele que afirmava cheio de confiança: “Assim como participais dos sofrimentos, participareis também da consolação” (ver 2Cor 1,7).

  • Lembro-me de Tua Mãe, Jesus, lá no Calvário: a Senhora das Dores, Mãe dos Aflitos! Profundo foi seu sofrimento, desmedida sua consolação, quando a fizeste exultar de alegria na Ressurreição! E ela, agora, pode ser chamada de Senhora da Consolação, Mãe do Belo Amor e de toda Santa Esperança! Penso em pais e mães que sofreram e lutaram para criar seus filhos e filhas e, agora, exultam de alegria, vendo o belo resultado de seus esforços e dores! Tu és nossa Vida, Conforto e Alegria! Tu és o Paráclito, o Defensor, o Advogado, o Confessor!

Da mesma forma Deus fala pelo Profeta: “No momento favorável, Eu te ouvi e, no dia da salvação, Eu te socorri” (ver Is 49,8; 2Cor 6,2). Haverá, pro acaso, tempo mais favorável do que esta hora, quando, por causa do amor a Deus em Cristo, somos publicamente levados prisioneiros neste mundo, porém mais como vencedores do que como vencidos?

  • Senhor, somos fracos, mas Tu és nosso vigor! Que creiamos e cantemos: “Vitória, tu reinarás! Ó Cruz, tu nos salvarás!”

Na verdade, os mártires de Cristo, a Ele unidos, destroçam principados e potestades, e, com Cristo, triunfam sobre eles. Deste modo, tendo participado dos sofrimentos d’Ele, também participam dos merecimentos, que Ele alcançou com coragem heroica. Que outro dia de salvação haverá tão verdadeiro como aquele que deste modo partireis da terra?

“Rogo-vos, porém, que não deis a ninguém motivo de escândalo, para que o nosso ministério não seja desacreditado. Mas, em tudo, comportai-vos como ministros de Deus, com grande paciência” (2Cor 6,3-4), dizendo: “E, agora, Senhor, que mais espero? Só em Vós eu coloquei minha esperança!” (Sl 38/39,8).

  • Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
    Como era no Princípio, agora e sempre, amém!