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Santa Teresinha relembra seus sentimentos ao ir falar com o Papa Leão XIII

Santa Teresinha vai ao encontro do Santo Padre
Leão XIII

 

Nascida na cidade de Alençon na França, filha de um casal de Santos canonizados, Zélia e Luís Martin, ela rendeira e dirigente de um pequeno grupo de operárias, ele, relojoeiro, em 1873, veio a morrer freira do Carmelo de Lisieux em 30 de setembro de 1897, vítima de tuberculose. Seus três manuscritos autobiográficos, escritos por mandato de suas Superioras, foram reunidos e publicados, com o título “História de uma Alma”, logo depois de sua morte, tendo uma difusão ampla e imediata. Até hoje são publicados, muito lidos e comentados em muitas línguas.

Sua pouca idade, quinze anos, foi considerada um obstáculo à sua admissão ao Carmelo. Aproveitou uma peregrinação a Roma, e, vencendo sua timidez, pediu ao Papa a licença. Assim Teresinha descreve os momentos que precederam aquela memorável ousadia (20.11.1887)*:

 

“Domingo, 20 de novembro. Depois de nos vestir segundo o cerimonial do Vaticano (isto é, de preto, com um véu rendado na cabeça), e nos ter adornado com uma medalha de Leão XIII, presa com uma fita azul e branca, fizemos nossa entrada no Vaticano, na capela do Soberano Pontífice. Às 8 horas, nossa emoção foi profunda, ao vê-lo entrar para celebrar a Santa Missa.

Depois de dar a bênção aos numerosos romeiros, reunidos a seu redor, subiu os degraus do santo altar e mostrou-nos por sua piedade, digna do Vigário de Jesus, que era, verdadeiramente, “o Santo Padre”. Eu coração batia muito forte e minhas orações eram muito fervorosas, quando Jesus descia nas mãos do Seu Pontífice. Eu estava muito confiante. Não receava. Esperava que o reino do Carmelo fosse meu em breve. Não pensava, então, nessas outras palavras de Jesus: ‘Preparo para vós, como o Pai preparou para mim, um reino’. Isto é: ‘Reservo para vós cruzes e provações. Assim é que sereis dignos de possuir este reino pelo qual ansiais. Por ter sido necessário o Cristo sofrer para entrar em Sua Glória, se desejais ter um lugar a Seu Lado, bebei do cálice que ele bebeu’.”

 

Santa Teresinha foi beatificada em 1923 por Pio XI e também por ele canonizada em 1925, tal a chuva de milagres comprovada por todo o mundo católico. Padre Sciadini, atual encarregado da Paróquia a ela dedicada no Cairo, narra a devoção que muçulmanos lhe tem para partos difíceis. Em 1927, ela foi declarada pela Santa Sé, copadroeira das Missões, com São Francisco Xavier. Em 1944, Pio XII a fez copadroeira da França, com Santa Joana D’Arc. Em 1977, São João Paulo II a elevou a Doutora da Igreja, título até então reservado a apenas 3 mulheres: Santa Hidelgarda de Bingem, Santa Catarina de Sena e Santa Teresa de Ávila.

* Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, “Obras Completas”, Loyola / SP, 1997, pp. 167-168.