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Santo Agostinho nos dá dicas para rezarmos bem – 5

Talvez ainda perguntes por que o Apóstolo disse: “Não sabemos pedir o que nos convém” (Rm 8, 26). Pois, de modo nenhum, se pode crer que ele ou aqueles aos quais ele se dirigia ignorassem a oração do Senhor. O Apóstolo (Paulo) não se exclui desta ignorância. Talvez não tivesse sabido como convinha orar, quando, pela grandeza das revelações, lhe foi dado um espinho na carne, uma anjo de Satanás para esbofeteá-lo. Por este motivo rogou ao Senhor que o livrasse e, na verdade, ignorava o que convinha. Por fim ouviu a resposta de Deus porque não atendia ao que lhe pedia tão grande homem, e porque não lhe era conveniente: “Basta-te minha graça, porque a força se perfaz na fraqueza” (2Cor 12,9).

Meditando: Senhor meu e Deus meu, é bom que insistamos em rezar, mesmo sem saber! No tempo devido, Tu nos farás saber a riqueza que tens para nós, porque sempre nos atendes. Tu sempre ajudas e socorrer! Que confiemos no Teu Coração!

Portanto, nas tribulações que ora podem ser proveitosas, ora prejudiciais, não sabemos pedir o que convém. No entanto, como elas são duras, desagradáveis, contrárias ao modo de sentir em nossa fraqueza, pelo anseio humano universal, rogamos que sejam afastadas de nós. Contudo, temos confiança no Senhor, nosso Deus, e, se Ele não as retira, não pensemos logo que Ele nos abandona, mas antes, quando suportamos generosamente os males, poderemos esperar maiores bens. Assim a força se perfaz na fraqueza. Estas coisas foram escritas para que não aconteça que alguém se tenha em alta conta, se for atendido,quando pedia com impaciência algo que lhe seria mais proveitoso não alcançar. Ou que desanime e desespere da divina misericórdia, se não for atendido, quando, talvez, peça aquilo que lhe será causa de piores aflições, ou o corromperá pela prosperidade… Em todas as coisas não sabemos orar como convém…

Meditando: Tua Divina Providência nos orienta e conduz! Tens, Jesus, olhos bons, olhos de luz que enxergam de cima! Tu bem sabes, em Teu Coração, o que nos convém! Teus Mártires enfrentaram coisas que nos metem medo, mas Tu fostes a coragem de cada um deles! Tu nunca nos deixas sozinhos!

– Por esse motivo, se nos acontece o contrário do que pedimos, não há que duvidar ser muito melhor suportar com paciência e, dando graças por tudo, porque foi a vontade de Deus que se fez, e não a nossa. Pois o próprio Mediador nos deu exemplo ao dizer: “Pai, se for possível, afaste de mim este cálice”; mas logo mudando em Si a vontade humana assumida pela Encarnação, acrescentou: “Porém não o que eu quero, mas o que Tu queres, Pai!” (Mt 26,39). Por isto, com toda razão, “pela obediência de um, muitos foram constituídos justos” (ver Rm 5,19).

Meditando: Bom Jesus, dá-nos corações mansos e humildes, semelhantes ao Teu, para que não julguemos o que Tu deverias fazer ou não fazer, mas recorramos à oração para enfrentar com fé, esperança e caridade, o bom combate da vida!