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Santos Anjos e Arcanjos, segundo a Igreja

Os Anjos

 

Hoje, se ouve, inclusive da parte de sacerdotes, expressões de descrença na existência dos Anjos, enquanto seres puramente espirituais e pessoais. No entanto, a Liturgia é fonte da Fé, e a imensa maioria do Povo de Deus, não aceita que lhe digam que os Anjos sejam metáforas ou ficções. Publicamos aqui dois textos. O primeiro do “Dicionário de Liturgia Pastoral”, organizado por Rupert Berger, publicado pela Loyola / SP em 2010, pp. 22-23, artigo assinado por B. Neunheuser; o segundo, extraído do Catecismo da Igreja, promulgado pelo Santo Padre João Paulo II como fonte e inspiração de todos os outros catecismos.

 

Primeiro Texto

Seres pessoais, criados por Deus, que, diferentemente dos seres humanos, não estão ligados ao corpo.

Eles contemplam constantemente a Face do Pai no céu (MT 18,10), sendo, deste modo, testemunhas oculares dos grandes feitos de Deus e proclamam o Seu louvor antes do restante da Criação (Is 6,1-4), e de maneira mais pura e ininterrupta do que o ser humano.

O centro deste culto celestial é o Cristo, o Cordeiro, como que imolado, que está entre o trono e os quatro seres vivos, no meio dos anciãos (Ap 5). Também os Anjos louvam – como diz o Prefácio – a glória de Deus “por meio d’Ele”. Por meio do Mediador comum [n.r. Jesus], na assembleia terrena, temos acesso “à Jerusalém celeste, a milhares de Anjos” (Hb 12,22).

É essa dignidade do culto cristão, que exalta o “cherubikón” da Liturgia de São João Crisóstomo. Também o Prefácio da Liturgia ocidental [romana] junta a sua voz com o “Sanctus”, e o Cânon Romano [Anáfora I] pede que o Anjo leve nossas oferendas e as coloque sobre o altar do céu.

Em vista deste vínculo fundamental entre a liturgia terrena como o culto divino dos Anjos, as festas dedicadas a Anjos específicos perdem muito de sua importância. A primeira a se desenvolver foi a de São Miguel Arcanjo, ao qual foram consagradas numerosas igrejas e capelas já nos inícios do século V, na Itália. Em Roma, tratou-se sobretudo da Igreja de São Miguel Arcanjo na Via Salária, de cuja dedicação os mais antigos Sacramentários estabelecem a memória para o dia 30 ou também para 29 de setembro.

Essa celebração recebeu um forte impulso com a aparição de São Miguel, no dia 8 de maio de 492, no Monte Gargano, no sul da Itália, onde lhe foi erigido um famoso santuário. Assim como ele era considerado como protetor do Povo de Deus veterotestamentário [Israel] (ver Dn 10,13), também a Igreja romana e mais tarde o “Sacro Império Romano Germânico” o tomaream como patrono protetor.

As festas dos Arcanjos Gabriel, no dia 24 de março, e Rafael, no dia 24 de outubro (ambos acolhidos só em 1921 no Calendário Romano) estão agora associadas à festa de São Miguel, no dia 29 de setembro.

Com a festa de São Miguel, estava associada, originalmente, a memória de todos os demais Anjos, incluindo os Anjos da Guarda. Uma festa específica dos Anjos da Guarda pode ser constatada somente no século XVI, nas proximidades do dia de São Miguel. Pio X fixou a data universal da festa no dia 2 de outubro. Os textos deste dia então mais direcionados para a condução que Deus proporciona aos povos, do que para os Anjos da Guarda dos indivíduos.

 

Segundo Texto

Catecismo Católico Bíblico (números 327-328):

 

A Existência dos Anjos – uma verdade de Fé

[327] A profissão de fé do IV Concílio de Latrão afirma que Deus “criou, conjuntamente, do nada, desde o início do tempo, ambas as criaturas, a espiritual e a corporal, isto é, os anjos e o mundo terrestre, em seguida a criatura humana, que tem algo de ambas, por compor-se de espírito e corpo”.

[328] A existência dos seres espirituais, não-corporais, que a Sagrada Escritura chama habitualmente de Anjos, é uma verdade de fé. O O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição.

Quem são os Anjos?

Santo Agostinho diz a respeito deles: “Anjo – mensageiro – é designação de encargo, não de natureza. Se perguntardes pela designação da natureza, é um espírito, Se perguntardes pelo encargo, é um anjo. É espírito por aquilo que é; é anjo por aquilo que faz. Por todo o seu ser, os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Porque contemplam “constantemente a face do meu Pai que está nos céus” (MT 18,10), são poderosos executores de sua palavra, obedientes ao som de sua palavra” (Sl 103,20).

Como criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam em perfeição todas as criatura visíveis. Disto dá testemunho o fulgor de sua glória (ver Dn 10,9-12).

 

Nota:

Antes do Concílio, por determinação dos Papas Leão XIII e Pio XI, o celebrante, de joelhos diante do altar, recitava com o povo algumas orações. Pio XI determinou que fossem oferecidas pela conversão da Rússia, dominada então pelo comunismo ateu. A pequena série terminava com a seguinte prece a São Miguel:

“São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate!
Sede nossa guarda contra a maldade e ciladas do demônio.
Instante e humildemente pedimos que Deus sobre ele impere!
E vós, Príncipe da milícia celeste, com o poder divino,
Precipitai no inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos,
Que vagueiam pelo mundo para a perdição das almas.
Amém!”