JESUS, MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO, FAZEI NOSSO CORAÇÃO SEMELHANTE AO VOSSO (MT 11,29) *
junho 14, 2013
Bem-aventurada Albertina Berkenbrock
junho 21, 2013

São Cipriano: o Pai Nosso (1) “Brote a oração do coração humilde”

São Cipriano: o Pai Nosso (1)

“Brote a oração do coração humilde” *

• Haja ordem na palavra e na súplica dos que oram, tranqüilos e respeitosos. Pensemos que estamos na presença de Deus. Que a posição de nossos corpos e a moderação das vozes sejam agradáveis a Ele.
• Se é próprio do irreverente soltar a voz em altos bravos, convém ao respeitoso a modéstia.
• Ensinando-nos, o Senhor ordenou que rezássemos em segredo, em lugares afastados e discretos, mesmo nos nossos quartos (ver Mt 6,6), no que auxilia a fé, pois sabemos que Ele está presente em toda parte, pode tudo ver e ouvir. Na grandeza de sua majestade, penetra até no mais oculto.
• Assim está escrito: “Eu sou Deus próximo e não distante. Se alguém se esconder em cavernas, será que Eu não o verei? Não encho o céu e a terra (Jr 23,23)?”. E, de novo: “Em toda parte os olhos de Deus vêem os bons e os maus” (Sl 15,3).
• Quando nos reunimos com os irmãos e celebramos com o sacerdote de Deus o Sacrifício Divino (a Missa), temos de estar atentos à reverência e ordem devidas. Não devemos espalhar a esmo nossas preces com palavras desordenadas, nem atirar a Deus os pedidos em tumulto, mas devem ser apresentados com submissão, porque Deus não escuta, tanto palavras quanto os corações.
• Com efeito, não se pode lembrar com gritos Aquele que vê os pensamentos, como o Senhor mesmo provou ao dizer: “Que estais pensando de mal em vossos corações? (ver Mt 9,4)”. E, em outro lugar: “E saibam todas as Igrejas que Eu sou quem perscruta os rins e corações (Ap 2,23)”.
• Ana (mãe de Samuel), como figura da Igreja, tem esta atitude, suplicando a Deus não com gritos, mas silenciosa e modesta, no maior segredo do coração. Sua prece era oculta e sua fé, manifesta. Falava não com a voz, mas com o coração, pois sabia que assim seria ouvida pelo Senhor. Alcançou plenamente o que pedia, porque pediu com fé.
• A Sagrada Escritura declara: “Falava em seu coração, seus lábios se moviam, mas não se ouvia nenhum som, e o Senhor a atendeu (1Sm 1,13)”. Lemos também nos Salmos (4,5): “Rezai em vossos corações e afligi-vos em vossos quartos”. Através de Jeremias, o mesmo Espírito Santo inspira e ensina: “No coração, deves ser adorado, Senhor! (Bar 6,5)”.
• O orante, amados irmãos, não ignora, por certo, como o publicano orou no Templo, com o fariseu. Não com olhos orgulhosos levantados para o céu, nem de mãos erguidas com arrogância, mas batendo no peito, confessando seus pecados, ocultos em seu íntimo, ele implorava o auxílio da misericórdia divina.
• Porque o fariseu se gloriava de si mesmo, mereceu ser santificado aquele (o publicano), que rogava sem basear a esperança de salvação na presunção de sua inocência, já que ninguém (entre nós) é inocente.
• (O publicano) rezava reconhecendo-se pecador. Aquele que perdoa os humildes atendeu (então) o orante.

* Ver Liturgia das Horas, segunda-feira da 11ª Semana do Tempo Comum