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São Cipriano: o Pai Nosso (4) – Reino e Vontade

São Cipriano: o Pai Nosso (4) – Reino e Vontade

CRUZnaMÃO

• A oração continua: “Venha a nós o vosso Reino”.
• Pedimos que o Reino de Deus se torne presente a nós, da mesma forma que suplicamos que seja em nós santificado o Seu Nome. Por que é que Deus não reina? Ou quando, para Ele, começou o Reino, que sempre existiu e nunca deixará de ser?
• Pedimos a vinda do nosso Reino, prometido por Deus e adquirido pelo sangue e paixão de Cristo, a fim de que nós – que fomos antes escravos do mundo – reinemos depois, conforme Ele nos anunciou, pelo Cristo glorioso, dizendo: “Vinde, benditos do meu Pai, tomai posse do Reino que para vós está preparado desde a origem do mundo” (Mt 25,34).
• Irmãos muito queridos, podemos também entender que o próprio Cristo é o Reino de Deus, cuja vinda pedimos todos os dias. Estamos ansiosos por ver esta vinda o mais depressa possível.
• Sendo Ele a Ressurreição, pois n’Ele ressurgimos, assim também se pode pensar que Ele é o Reino de Deus, pois n’Ele reinaremos.
• Pedimos, é claro, o Reino de Deus, visto que já existe o reino terrestre.
• Mas quem já renunciou ao mundo está acima desse reino terrestre e de suas honrarias.
• Acrescentamos ainda: “Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu”. Não para que Deus faça o que quer, mas para que possamos fazer o que Deus quer.
• Pois quem impedirá Deus de fazer tudo o que quiser? Mas, como o diabo se opõe a que nossa vontade e ações em tudo obedeçam a Deus, oramos e pedimos que se faça em nós a vontade de Deus.
• Que se faça em nós a vontade de Deus, isto é, o resultado do seu auxílio e proteção, porque ninguém é forte com seus próprios recursos.
• Na verdade, é a indulgência e a misericórdia de Deus que o protegem.
• Enfim, manifestando a fraqueza do ser humano, diz o Senhor: “Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice”. E, dando aos discípulos de renunciar à própria vontade e de aceitar a Deus, acrescentou: “”Contudo não o que quero, mas o que Tu queres” (ver Mt 26,39).
• A vida humilde, a fidelidade inabalável, a modéstia nas palavras, a justiça nas ações, a misericórdia nas obras, a disciplina nos costumes; não injuriar ninguém; tolerar as injúrias recebidas; manter a paz com os irmãos; amar a Deus de todo o coração; amá-lo por ser Pai; temê-lo por ser Deus; nada, absolutamente, colocar à frente a Cristo, pois Ele também não colocou nada a frente a nós; aderir sem vacilação à caridade; estar ao pé da Cruz com coragem e confiança, quando se tratar de luta por Seu Nome e Sua Honra; mostrar firmeza ao confessar (Jesus) por palavras e, quando questionados, manter a confiança n’Ele, por quem combatemos, e, na morte, conservar a paciência que nos coroará.
• Tudo isto é querer ser co-herdeiro de Cristo, é cumprir o preceito de Deus, é realizar a Vontade do Pai.