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São Cipriano: Pai Nosso (7): Não só com palavras…

São Cipriano: Pai Nosso (7): Não só com palavras…

“Não só com palavras, mas ainda com atos se deve orar”.

• Não é de admirar, irmãos queridos, que a oração, tal como Deus nos ensinou, enfeixe, por seu ensinamento, toda nossa prece numa breve palavra da salvação.
• Já pelo Profeta Isaías, isto tinha sido predito, quando, cheio do Espírito Santo, falava da majestade e bondade de Deus: “Verbo que completa e resume na Justiça, porque Deus fará uma palavra abreviada em toda a redondeza da terra” (ver Is 10,22-23 Vulgata; tb. Rm 9,28).
• Pois a Palavra de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, veio para todos e, reunindo doutos e ignorantes, sexos e idades, e lhes deu preceitos salutares, resumindo de tal maneira os seus mandamentos, que a memória dos discípulos não sentisse dificuldade com o ensinamento celeste, mas rapidamente aprendesse o que era necessário à simples fé.
• Do mesmo modo, ao ensinar-nos o que seja a vida eterna, condensou o mistério da vida com grande e divina brevidade, dizendo: “Esta é a vida eterna, que te conheçam a ti, único e verdadeiro Deus, e quem enviaste, Jesus Cristo” (Jo 17.3).
• E, ainda, querendo salientar os primeiros e maiores preceitos da Lei e dos Profetas, diz: “Ouve Israel, o Senhor teu Deus é um só Senhor” (Mc 12,29); e: “Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. Este é o primeiro e o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes mandamentos dependem toda Lei e os Profetas” (Mt 22,37-38). E, de novo: “”Tudo quanto quiserdes que vos façam os homens, fazei-o a eles. Isto é a Lei e os Profetas” (Mt 7,12).
• Deus não nos ensinou a orar só com palavras, mas também com atos. Ele próprio, com freqüência, orou e suplicou, mostrando-nos com seu exemplo o que temos de fazer. Está escrito: “Ele se afastava para os lugares solitários e adorava (Lc 5,16)”. E ainda: “Saiu para o monte, a fim de orar e passou a noite inteira em oração a Deus (Mt 14,23)”.
• O Senhor orava, e pedia não por Si (que pediria o Inocente para Si?), mas por nossos delitos, como Ele mesmo o declarou, dizendo a Pedro: “Eis que Satanás procurava peneirar-vos como trigo. Mas eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça” (Lc 22,31).
• E, pouco depois, rezou ao Pai por todos, dizendo: “Não rogo apenas por estes, mas também por aqueles que irão crer em mim pelas palavras deles, a fim de que todos sejam um, como Tu, ó Pai, estás em mim e Eu em Ti, para que também eles estejam em Nós” (Jo 17,20-21).
• Imensa benignidade e piedade de Deus para nossa salvação! Não contente de redimir-nos com Seu Sangue, ainda quis, com tanta generosidade, rogar por nós. Considerai o desejo d’Aquele que rogou, para que, do mesmo modo como o Pai e o Filho são Um, também nós permaneçamos na Unidade.