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São Francisco Xavier – 3 de dezembro

São Francisco Xavier (1506/1556)*

3 de dezembro

 

Foi um dia festivo em Roma, em particular para os jesuítas! Inácio de Loyola e Francisco Xavier, dois do grupo de amigos e universitários de Paris, fundadores da Companhia de Jesus, foram conjuntamente canonizados pelo então Papa, Gregório XV. Foi o dia 12 de março de 1622.

Francisco de Xavier, hoje conhecido como Francisco Xavier, nasceu nesta localidade do então Reino de Navarra em 7 de abril de 1556. Seu pai, Juan de Jasso, fora ministro do Rei Juan III de Navarra. Sua Mãe era a única herdeira de duas famílias nobres. Chamava-se Maria Azpilcueta y Asnárez. Mas os azares das guerras, em que Navarra seria subjugada à Espanha pelas tropas comandadas pelo 2º Duque de Alba, fizeram com que seus bens fossem confiscados e o castelo residência da família em Xavier, fosse parcialmente demolido. Hoje, ele pertence aos jesuítas e está restaurado, sendo centro de concorridas peregrinações. Na ocasião da conquista espanhola, Francisco tinha apenas 8 anos. Na época das penalidades contra o castelo e a família, que incluíram a condenação à morte de dois de seus irmãos, que resistiram à invasão, ele chegara aos 11 anos. Os rapazes, no entanto, foram anistiados.

Único dos filhos homens em liberdade, consta que ficava na margem de um rio, usado pelos madeireiros para passarem suas balsas de troncos, com uma funda, para obrigá-los a pagar o pedágio. Mas, quando completou 14 anos, sua Mãe o enviou a Paris, à sua famosa Universidade, para se tornar um jurista, ter uma profissão honrada e dourar novamente os deslustrados brasões da sua família empobrecida. Ele se inscreveu no Colégio dos Portugueses, Colégio Santa Bárbara, então dirigida pelo amigo do Rei português, Dom João III, que iria ter um papel muito decisivo na sua vida.

Em Paris ele veio a conhecer Pedro Fabro, recentemente canonizado pelo Papa Francisco, e Inácio de Loyola, com quem, a princípio, antipatizou, mas, depois, se fez seu grande amigo. Estes três e mais alguns, terminaram por se decidir a formar um grupo, cujo primeiro objetivo seria uma peregrinação à Terra Santa, sinal da grande veneração de todos pela Humanidade de Jesus, o Filho de Deus. Por motivos das guerras entre Veneza, a grande potência marítima do Mediterrâneo, e o Império Turco, este voto nunca pôde ser realizado.

Francisco, já Doutor pela Universidade de Paris, foi ordenado em Veneza, enquanto ainda tinham esperanças de poderem embarcar para a Terra Santa (24.VI.1534).

As rodas da história giravam. Já estavam os companheiros em Roma, fieis à sua segunda opção, de se oferecerem para o serviço do Santo Padre, caso não pudessem seguir para Jerusalém, e já reconhecidos como nova fundação, a Companhia de Jesus, quando Diogo Gouveia, de volta a Lisboa, conselheiro de Dom João III, os recomendou ao amigo rei, desejoso de enviar padres honestos e evangelizadores a sua possessão na Índia, Goa, onde os portugueses e padres davam péssimo exemplo.

Assim, em 1540, Francisco e outro dos fundadores da Companhia, o único português do grupo, Padre Simão Rodrigues, estavam em Lisboa, esperando o embarque. O rei quis reter Simão Rodrigues para trabalhos em Portugal, e Xavier embarcou para Goa na frota de Martim Afonso de Souza, nosso conhecido fundador de São Vicente / SP.

A frota passou à vista do Brasil, domínio quase inexplorado dos portugueses, dobrou o Cabo da Boa Esperança, no sul da África e foi se deter na ilha de Moçambique, já possessão do rei português, onde se deteve por seis meses, para recuperar os muito doentes de escorbuto. Xavier se desdobrou de cuidados por eles e por outros e tratou não só de reformar o imundo “hospital”, mas de fundar uma irmandade que o levasse à frente.

Afinal, em 6 de maio de 1542, as embarcações chegaram a Goa. A primeira impressão, muito favorável, não resistiu ao olhar atento do missionário. Logo viu que muitos dos indianos dados como convertidos e batizados, mantinham seus cultos hindus, e que os portugueses se portavam muito mal, dando péssimo exemplo a todos. Então começou a evangelizar, primeiro os portugueses, depois aos indianos, e, entre estes, primeiro às crianças, depois aos mais velhos. Tratava com as próprias mãos os doentes e leprosos, organizando irmandades para dar continuidade a estes serviços. Foi redigindo um catecismo, depois traduzido nas diferentes línguas que iria conhecer em suas múltiplas viagens, que o levariam pelas costas da Índia, ao Ceilão, à Indonésia, ao Japão e às costas da China, onde iria morrer de febres dez anos depois, deixando inúmeras comunidades cristãs por todo este vasto espaço geográfico. Por isso seu merecido título de Padroeiro das Missões.

Em setembro de 1543, ele partiu em busca de uma população que vivia da pesca, sendo hostilizados pelos hinduístas, contrários a que se comessem animais. Ora, um dos símbolos do cristianismo é o peixe! Vários apóstolos foram pescadores e Jesus os convocou para serem “pescadores de homens”. A missão foi muito bem sucedida, e até hoje há boa proporção de fieis entre o povo da “Costa da Pescaria”, no sul do litoral do Oceano Índico.

Seria demorado acompanhá-lo em suas navegações e missões evangelizadoras. Fixemos o momento em que encontrou em Malaca, o samurai japonês, Angiró. Ficaram muito amigos, e Angiró foi batizado com o nome do Apóstolo, Paulo. Resumindo, foi ele quem abriu as portas do Japão, onde conseguiram autorização de desembarque no porto de Kagoshima. O sucesso de Xavier foi de longa duração, apesar de posteriores perseguições.

Sabendo do prestígio que a cultura chinesa tinha no Japão, Xavier, que tivera uma rápida oportunidade de estar no grande porto de Cantão, embora soubesse que o “Império do Meio” era fechado, sob pena de morte, a estrangeiros, tanto fez que, em abril de 1552, estava na ilha de Sanchuan, tentado o arriscado ingresso. Em dezembro, ainda esperava, quando febres fortes o mataram. Marinheiros de um navio de portugueses amigos, tinham feito uma cabana para abrigá-lo, e um fiel servidor fez o possível por ele, mas veio a nascer para o céu no dia 3 de dezembro daquele mesmo ano.

Sepultado primeiro na ilha, seu amigo, o capitão Diogo Pereira, veio buscar seus restos, suas relíquias corporais, que encontrou incorruptas! E os levou para Goa em 15 de abril de 1553. Lá foram divididas: o corpo está venerado na Basílica do Bom Jesus de Goa, onde recebe o carinho de constantes peregrinações. Um osso do braço direito, atualmente se venera na Igreja de São José de Macau, sem nunca ter chegado ao Japão, aonde tinha sido enviado. Outro osso do braço está em Santo Inácio de Roma, e outro, enfim, exposto na Catedral de Salvador, Bahia, na capela do lado direito de quem entra, junto ao altar mor.

Recordemos que um dos primeiros e mais atuantes missionário do Brasil nascente, foi primo de São Francisco Xavier: o padre jesuíta João de Azpilcueta Navarro.

São Francisco Xavier, rogai por toda a Igreja e pelos missionários e missionárias!

 

  • *Foto das relíquias de São Francisco  Xavier, veneradas no Bom Jesus de Goa, Índia