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Serviço dos Jesuítas para os Refugiados, Papa e Secretário Geral da Onu: trégua na Síria

Alepo sob bombardeio

 

Suspensão de todas as hostilidades, abertura de corredores humanitários para a Europa e vistos a temporários para os fugitivos: estes são os apelos do Serviço Jesuíta para Refugiados – inclusive através de seu braço italiano, o Centro Astalli – para cuidar da crise humanitária. Negociações internacionais sejam retomadas para alcançar o cessar fogo. A ONU condena como crimes de guerra os ataques a hospitais.

 

LA STAMPA VATICAN INSIDER -IT – 04/05/2016
FRANCESCO PELOSO
VATICANO

 

Sucedem-se apelos por uma trégua imediata na cidade de Alepo e em toda Síria. Neste sentido também se moveu o Serviço Jesuíta para os Refugiados – através de sua sede italiana, o Centro Astalli, que difundiu um comunicado com acentos dramáticos. Em particular, destacou que o Serviço foi obrigado agora a interromper sua atuação em favor dos refugiados, por causa da intensificação das atividades de guerra, provocando crescente número de mortos e feridos na população civil. Lemos no texto: “Por causa desta excepcional onda de violência, como medida de precaução, neste 3 de maio, o Serviço suspendeu – com grande amargura – suas atividades (centros de distribuição de ajudas, ambulatórios, alimentação) na cidade de Alepo até segunda ordem”. E continua: “No interesse e em defesa da população civil de Alepo suplicamos a todas as facções beligerantes que suspendam imediatamente as hostilidades. Exprimimos nossa solidariedade com todas as vítimas e suplicamos que a paz retorne a Alepo e a toda Síria o mais breve possível”.

O presidente do Centro Astalli de Roma, o Padre jesuíta Camilo Ripamanti, pede algumas intervenções específicas: “Apelamos para as instituições nacionais e internacionais, e aos serviços diplomáticos ativos na região, para que seja feito todo o necessário para estabelecer uma trégua em Alepo e em toda a Síria (…). A população civil está no extremo e necessita urgentemente abrir um caminho para a paz”. Por isto se pede às nações europeias de abrirem, “imediatamente, canais humanitários para força a população síria a pedir asilo seguro. Servem vistos temporários e medidas de acolhida e proteção para homens e mulheres vítimas inocentes, vítimas de um conflito que deve cessar sem demora”.

As notícias obtidas pelo Serviço jesuíta são trágicas: bombas caem em Alepo e arredores, atingindo, de modo particularmente grave, sobretudo a população e tornando, de fato, impossível toda atividade de amparo e socorro aos civis.

No último domingo, o Papa Francisco falou da crise na Síria na hora da prece “Rainha do Céu” [com o povo na Praça de São Pedro]: “Recebo com dor profunda as dramáticas notícias vindas da Síria, sobre a espiral de violência, que continua a piorar a já desesperada situação humanitária do país, em particular na cidade de Alepo, e a fazer vítimas inocentes, inclusive entre as crianças, os enfermos e aqueles que, com grande sacrifício se têm empenhado a prestar socorro aos próximos (…). Exorto a todas as partes envolvidas no conflito a respeitar o cessar fogo e a reforçar o diálogo em curso, o único caminho que conduz à paz”.

Ainda o porta-voz da UNICEF, André Iacomini, falando à Rádio Vaticana, traçou um quadro inquietante: “É inútil continuar a falar retoricamente, esperando um acordo de paz. De imediato, é necessário fornecer respostas e a resposta mais urgente é de conseguir criar corredores humanitários nas 18 cidades sob assédio, que nos permitam abrir corredores humanitários a estas localidades em toda a Síria, não só em Alepo, para chegarmos às populações e, sobretudo, às crianças, atingidas”.

A UNICEF pede uma intervenção humanitária na região mais crítica, a começar de Alepo, o que significa permitir “que a Cruz Vermelha, as organizações humanitárias das Nações Unidas, a Meia Lua e todas as outras consigam entrar”.

Além disso, enfatiza o representante da UNICEF, todas as partes envolvidas estão, todos os dias, violando a Carta que protege os direitos da adolescência e da infância, que põe em foco a responsabilidade direta da comunidade internacional. A própria diplomacia está procurando com dificuldades de retomar uma condição de cessar fogo que seja completamente observada. O Conselho da Segurança da ONU trabalhou intensamente para tentar conseguir, no menor tempo possível, este objetivo mínimo. Finalmente o Secretário de ETstado americano, John Kerry, e o Ministro do Exterior russo, Serghiei Lavrov, chegaram a um acordo em favor de uma trégua, ainda frágil, que entrará em vigor na quinta-feira e durará, pelo menos, 48 horas, também em Alepo.

Além disso, o Chefe dos Assuntos Políticos da ONU, Jeffrey Feltman, afirmou que reduzir populações à fome como arma é crime de guerra. Também condenou os bombardeios do exército governamental sírio contra Alepo. Ao mesmo tempo, o Conselho de Segurança das Nações Unidas, nos dias recentes, aprovou a unanimidade uma resolução com a qual se pede a todas as forças beligerantes de poupar os hospitais e o pessoal que presta assistência médica humanitária. E se explicita que quem comete estes atos deve ser processado.

O Secretário Geral da ONU, Ban Ki Moon, recordou que os que atacam um hospital cometem crime de guerra. Nos dias passados na Síria, em Alepo, foram atingidos dois hospitais, seja pelas forças governamentais, seja pelos rebeldes. Por outra parte, recorda-se que a demais dos últimos sangrentos episódios, a estrutura médica do país, nestes cinco anos de guerra, foram largamente destruídas, um fato que é um fator de sofrimentos muito agudo para uma população, na qual se contam dezenas de milhares de feridos. Também se leva em conta que hospitais e centros médicos têm sido alvos, nestes últimos tempos nos vários conflitos que se sucedem no mundo: da Síria ao Afeganistão, do Iraque ao Iémen e ao Sudão do Sul [mais a Nigéria, a Líbia, a Somália, o centro da África].