Treze Santos: Santo Tomás de Aquino – 1ª parte
abril 27, 2013
Treze Santos: Santo Tomás de Aquino – 3ª parte
abril 27, 2013

Treze Santos: Santo Tomás de Aquino – 2ª parte

A dificuldade de pensar corretamente
SorbonneAntigaSó isto já representa um enorme benefício porque pode proteger a religião dos maus efeitos do sentimentalismo, que tanto a infeccionam em nossos dias. Não acreditemos que seja ordinariamente fácil pensar com correção. É coisa bem mais difícil do que  construir um avião, ou ir caçar ou ir ao cinema. Pensar corretamente é uma arte. Requer muito cansaço. Procuramos todos os pretextos para não pensar e terminamos, quase, afirmando que não se deve pensar, muito menos em assuntos religiosos, para os quais basta o sentimento, ou esta coisa que se define, grosseiramente, como “misticismo”.
A mídia se comporta como se fosse uma verdade adquirida que a nossa inteligência anda pode saber de seguro sobre Deus, a alma, o bem e o mal ou, por algum obscuro motivo, que a religião é coisa sobre a qual não se deve pensar muito, pois a história e a ciência são, não se sabe bem porquê, contrárias à religião.
Deste modo, as pessoas comuns, embora assistido de um prático, minucioso e preciso conhecimento no campo de sua profissão, se abandona a uma incrível superficialidade e leviandade de palavra quando se aventura no campo espiritual.
De minha parte, contudo, acredito que não existam outros livros neste mundo – nem mesmo os de Aristóteles – nos quais se possa encontrar, como na obra de Santo Tomás, uma distinção tão rigorosa entre o que é especulação e fato comprovado; entre hipótese e demonstração; nem uma tão desapiedada lógica; nem uma tão laboriosa coleta dos fatos disponíveis; nem um tão minucioso virar e revirar das provas; método em tudo independente dos modismos do pensamento filosófico e científico daquele tempo.
Sim, porque não podemos esquecer que também no campo da ciência ocorrem modismos e manias, frases feitas e lugares comuns. Nós o verificamos ainda hoje, nos modismos entre os cientistas contemporâneos, preocupados em colocar a ciência ao alcance das massas. Eles se abandonam a uma exposição – segundo me parece – descuidada e, com freqüência, a um jogo de adivinhações em público, tão grosseiro que chega a ser pior (pois movido por desejo de publicidade e de criar sensação) do que nos tempos de Tyndall e de Huxley. Nas obras destes se adverte uma espécie de rude otimismo, juvenil e áspero, que faz perdoar o muito que afirmaram e teve de ser deixado para trás.
O sábio e o santo
Tomás de Aquino era de outra têmpera. Lia muito e nada esquecia. Não misturava os assuntos que tratava, seja tivessem relação com a história pura e simples; seja que tivessem relação com a psicologia humana (como quando estuda as paixões humanas ou examina argumentos concretos sobre os efeitos dos banhos quentes sobre o intelecto humano…); ou fossem de ascética, metafísica, dogma revelado ou teologia. Em nenhum ponto de sua imensa obra se encontra nota desafinada. Não se lê uma palavra cujo sentido não tenha sido bem declarado precedentemente e nunca um deslize na discussão.
Ninguém pode dizer que estudou a fundo ou compreendeu bem um filósofo antigo te que não conheça como o seu pensamento tenha sido interpretado segundo Santo Tomás. Nem é possível proceder melhor, quando se lê um filósofo posterior a Santo Tomás, do que procurar de examiná-lo através da minuciosa lupa do pensamento dele mesmo.