Treze Santos: Santo Tomás de Aquino – 2ª parte
abril 27, 2013
Treze Santos: Santo Tomás de Aquino – 4ª e última parte
abril 27, 2013

Treze Santos: Santo Tomás de Aquino – 3ª parte

E daí?
saotomasaquinoÉ provável que vocês estejam pensando: Mas do que fala este sujeito? Que me importa  que Tomás fosse ou não um grande pensador? E se ele o foi, o que tem isto com sua santidade pessoal? Parece-me que esta conversa nas tardes de domingo sejam reservadas aos santos. E já é um aborrecimento! Mas se nem sequer é isto, mas conversas sobre filósofos de antigamente! O melhor é desligar o rádio!
Não há dúvida de que podem fazê-lo, se quiserem. Mas São Francisco sozinho bastou para demonstrar que uma pessoa pode pôr de ponta cabeça a crença comum de que o dinheiro é a cosia de que o ser humano mais precisa, e que a única finalidade da vida humana seja (como, certa vez, me disse um milionário americano, abrindo os olhos infantilmente espantados de que eu pudesse pensar de modo diverso), fazer dólares. De fato, muito poucos conhecem alguns ricos do tempo de São Francisco e não há ninguém neste mundo que se lembre deles com estima e afeto, enquanto milhões recordam o Pobrezinho de Assis com amor.
Do mesmo modo, basta Santo Tomás (ainda que ele tivesse tido um só discípulo, e tem tido centenas em cada geração através dos séculos) para desmentir a loucura de que a religião teme o pensamento e a ciência; que a religião não passa de uma relação emotiva, uma tradição obscura, um salto no escuro, ou apenas uma união mística com a divindade, embora, quando esta união for sincera, será o estupendo fruto da religião.
Santo Tomás, por sua mesma personalidade, nos seus livros, através dos milhares de livros escritos a seu respeito, através da grande Ordem dos dominicanos, à qual pertenceu, em escolas que continuam existindo, refletem e se desenvolvem sob seu impulso e seguindo o seu método, desmente esta fantasia.
A religião não teme a pesquisa. Antes a deseja. E é a primeira a recorrer a ela. Nunca li ataques tão penetrantes e severos à religião que os idealizados por Tomás de Aquino.
Mas não foi somente a sua inteligência que fez de Tomás um santo.
Tomás estimava bem pouco a parte intelectual de sua obra. É comovente ver o manuscrito de uma de suas maiores obras, conservado na Biblioteca Vaticana, e notar como, através de inteiros parágrafos de uma escrita firme, abreviada, quase estenográfica, sua pena tenha traçado uma linha de corte sobre o que hoje nos parece uma observação preciosíssima.
Sem dúvida sua humildade (profunda como sempre é nos doutos verdadeiramente grandes, que vêem como a verdade é imponente e como o máximo que o ser humano chega a saber é bem pouca coisa) o induzia a ter em bem pouca coisa o seu trabalho. Mas, além disto, no seu íntimo, Tomás havia alcançado viver uma tão habitual comunhão com Deus, habitando em regiões das quais a mais minuciosa teologia não passa de um mapa, que pôde dizer: Tudo quanto escrevi me parece, agora, valer muito pouco.
Recente edição brasileira da Suma Teológica, a mais famosa obra de Santo Tomás, pelas Edições Loyola, São Paulo, Brasil
Este homem, que tanto viajara, que conhecia tão de perto o ser humano, estava, em virtude do seu amor a Jesus Cristo, em tão estreito contacto com Deus, que todo saber, toda forma de atividade vital se haviam tornado para ele o meio para uma contínua e santo comunhão.
Talvez, o melhor modo de nos pormos em contacto com ele seja através dos seus hinos eucarísticos. Ainda hoje, em muitas línguas, por toda a terra, nas Bênçãos do Santíssimo, se cantam O Salutaris Hostia, Adore Te devote e Tantum ergo (“Tão sublime Sacramento”).