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Princípios pagãos e os santos na Renascença

santotomás_triunfoTem-se a impressão que há mais santos na terra, quando as circunstâncias são particularmente favoráveis, como no século II ou no XIII. Ou, pelo contrário, que há menos santos, talvez, nos séculos IV, V e X. E, sem dúvida, durante a Renascença.
O que sucedeu na Renascença é, em última análise, isto: depois da renascença “latina”, veio a “grega”. Estudava-se o grego e se liam as obras dos escritores gregos, inebriando-se da beleza helênica e, como conseqüência, as pessoas passaram a adotar as idéias e princípios gregos, que, naturalmente, eram pagãos.
As pessoas da Idade Média, por mais desenfreadas que fossem, tinham mentalidade, no fundo, cristã. Mas as idéias pagãs, que voltavam à moda, exaltavam tudo o que é apenas humano: corpo e inteligência.
Inevitavelmente, a glorificação do corpo, praticada pelos que tinha dinheiro para gastar, reduziu os pobres à mais atroz miséria e fez crescer o desprezo dos poucos ricos, que viviam a larga, para a multidão dos esmolambados.
A glorificação da inteligência humana conduziu, como sempre, ao ceticismo.
Além disto, o nacionalismo foi se tornando uma praga endêmica na Europa. Foi quando se pôs em circulação a famosa divisa: Cujus regio, ejus religio, “As fronteiras determinam a religião”.
Na verdade, a religião só contava quando os príncipes podiam usar os sentimentos religiosos das populações para manipular seus ânimos. É pouco provável que em outras ocasiões o Ocidente tenha atravessado tempos de tantas injustiças e desgraças, desde o período que se sucedeu imediatamente às invasões bárbaras.
Naquela época, a Europa começava a reencontrar uma ordem em meio do caos na qual tinha sido atirada. Os elementos, que causaram, em primeiro lugar, a desordem (entre os quais os poderosos senhores feudais), se opuseram a esta ordem com todas as forças. Foi então que surgiram novamente santos tão numerosos que desistimos de classificá-los e enumerá-los todos.
Portanto, escolhi algumas pessoas pertencentes a diversas categorias, mas todos voltados para a “filantropia”. Entendo esta palavra, como é natural, em seu significado cristão de amor e serviço ao próximo por amor de Cristo. R também pessoas que ignoraram, assim como seus seguidores ignoram, tudo o que tenha relação com fronteiras nacionais, política ou raça. Certamente não há um sentimento de adoração pelo corpo num Camilo, Claver ou Vicente de Paulo, que nos deram (como até agora dão seus descendentes espirituais) tantas realizações e tão grandes para o alívio dos sofrimentos físicos.
A Cruz Vermelha que (embora seus propagadores o ignorem) foi precedida e, na verdade, deve sua existência a Camilo. Ela é internacional (isto é, supranacional), bem como as sociedades que têm origem ou tomam o nome de Vicente de Paulo.
A própria existência das Missões em terras não cristãs nem seria imaginável se não se reconhecesse implicitamente o conceito de que pessoas de outras etnias não “brancas” têm o mesmo valor que estas.
Nas pessoas dos santos da época, a Renascença pagã encontrou uma resposta adequada. Portanto não introduzirei nenhum comentário entre os retratos de Camilo e dos dois santos seguintes, depois dos quais a Europa terá, ainda uma vez, procurado mudar sua natureza.