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Treze Santos: Santo Eduardo, Rei da Inglaterra – 2ª e última parte
abril 27, 2013

Treze Santos: São Eduardo, Rei da Inglaterra – 1ª parte

Quantos homens chamados “Eduardo”
saoeduardo1A primeira vez que me venho a idéia de falar de Santo Eduardo, foi num domingo, enquanto eu ia da catedral de Westminster, a dois passos da Abadia que devemos a ele,a uma igreja de Chiswick, a ele dedicada e cheia de pessoas que celebravam seu aniversário.
Depois de ter lido tudo que pude encontrar a respeito de Santo Eduardo, quase me arrependi de ter feito essa escolha, porque não se recordam muitas coisas pitorescas referentes a ele. Pensando mais, contudo, decidi-me que vali à pena falar dele, exatamente por não haver nada de particularmente dramático a dizer.
Quando pensei nos nomes de homens bem mais belicosos e espetaculares, que o haviam cercado em sua vida, fez-me sorrir a idéia de que era duvidoso que alguma das pessoas presentes na igreja naquele dia se chamasse Sweyn, Thurkill ou Ardicanuto, mas que deveria haver vários Eduardos, ou Dinis e Eds, sem falar de todos os reis ingleses de nome Eduardo, devido àquele antigo monarca, que viveu no exílio até os 40 anos.
Depois de Alfredo, o Grande
Não tenho a pretensão, por certo, de lhes dar uma aula de história. Basta lembrar que, depois do esplêndido reinado de Alfredo, o Grande, era de se esperar que a Inglaterra tivesse gozado de grande prosperidade. De fato, Alfredo, quando morreu, deixou seu povo, por testamento, a liberdade:
Por amor de Deus e pela salvação de minha alma, quero que eles (os súditos) sejam senhores d esi mesmos de suas escolhas e, em Nome do Deus Vivo, rogo que ninguém os perturbe com extorsão de dinheiro ou de outro modo, e que sejam deixados livres de servir ao patrão que eles mesmos escolherem”.
Mas, de fato, o país recaiu em grande miséria. A rivalidade dos grandes, o espírito de clã dos saxões, dos anglos, dos suecos e dos dinamarqueses, sedentos de sangue, causaram ruínas: as devastações, incêndios, mortes, as pessoas açoitadas, cegadas, encadeadas eram sem número. A ferocidade foi tal que se escreveu: Não tem comparação com a das feras mais perigosas. Posso acrescentar que os incestos e outros horrores do mesmo tipo que então sucederam não têm paralelo entre as tribos mais primitivas.
Não é de admirar que os encarregados de administrar justiça acreditassem estarem obrigados a usar de força e da máxima severidade, e os críticos que parecem se rir um tanto de Eduardo por sua doçura. Deveriam, pelo menos, não falar mal dos reis, juízes e bispos que, para reprimir os insanos excessos, usaram sistemas duríssimos, que eles não aprovam. E a personalidade que sobreviveu àqueles tempos foi a do rei Eduardo!
O dinamarquês Canuto, rei de toda a Inglaterra
Em 1017, quando o dinamarquês Canuto foi proclamado rei de toda a Inglaterra, que, assim, passou a fazer parte do império escandinavo, ele mandou o muito jovem filho do rei deposto, Edmundo Ironside, para a Hungria. O rei da Hungria, Estevão, era um santo, e muito me teria agradado falar de suas realizações, que deixou traços em nosso tempos até que a sua terra ficasse subordinada à União Soviética depois da 2ª Grande Guerra.
Os meio irmãos de Edmundo, Alfredo e Eduardo, foram exilados para a Normandia. Quando Canuto morreu, os seus dois filhos, Haroldo e  Ardicanuto dividiram seu reino entre si. Mas o primeiro morreu quatro anos depois e o segundo sofreu um ataque durante uma orgia e também morreu. Corria o ano de 1042.
Alguém precisava reinar. Mandaram, por isso, chamar Eduardo, o único sobrevivente, pois Alfredo tinha morrido numa tentativa de retomar o trono, prisioneiro de Haroldo, que tinha massacrado seus seguidores, aprisionado o infeliz rival, feito com que desfilasse por vários lugares amarrado nu sobre um cavalo até a localidade de Ely, onde lhe arrancaram os olhos antes de matá-lo.
Continua…