Treze Santos: São Francisco de Assis, o Pobrezinho de Deus – 1ª parte
abril 27, 2013
Treze Santos: São Francisco de Assis, o Pobrezinho de Deus – 3ª parte
abril 27, 2013

Treze Santos: São Francisco de Assis, o Pobrezinho de Deus – 2ª parte

francisco_claraNão entenderemos jamais Francisco sem levar em conta que, com todo o amor e lealdade de que seu coração era capaz, ele desposou a Dama Pobreza por amor a Jesus Cristo. Ele considerava a pobreza não como uma desgraça, mas como um título de glória. Assim era para ele a Dama Pobreza.

De qualquer maneira o venerar o dinheiro, o dedicar sua vida ao dinheiro, o entregar-se ao dinheiro era o engano. Fazê-lo de olhos abertos era apostasia da fé e degradação humana.
Isto não porque Francisco considerasse as coisas do ponto de vista filosófico, que um homem livre, verdadeiramente rico é que não se importa com o dinheiro. Isto até os pagãos o sabiam: estóicos, cínicos e budistas compreenderam tudo isto muito bem. . Também não quis fazer-se pobre movido pela filantropia, por compaixão com os indigentes, uma forma de compaixão que, às vezes, os necessitados ressentem amargamente.
Não, Francisco escolheu a verdade de que ninguém deve ser avaliado pelo que possui, mas pelo que é. E cada qual de nós é o que Deus vê em nós. E Deus nos julga pela nossa semelhança com Cristo.
Francisco se tornou sempre mais feito pobre, quanto mais se tornava semelhante a Cristo, que, sendo rico, por amor a nós se fez pobre (2Cor 8,9).
As pessoas hoje são mais pobres do que nos passado, e toleram esta situação com relutância e se rebelam. As pessoas rezam pela retomada dos negócios e pela oportunidade de ganhar dinheiro. Querem reconstruir o edifício social com os mesmos materiais, com os mesmos princípios arquitetônicos. E isto é impossível.
E demos graças aos céus que seja assim. Fazer dinheiro, ter dinheiro, gastar dinheiro consigo mesmo: nenhuma vida após ser edificada sobre tais bases. “Nível de vida” é uma expressão que se ouve cada dia. Até agora este nível de vida é avaliado em vista dos automóveis, cinemas, possibilidades de lazer… Por aís nada é viável. Tudo isto precisa ser radicalmente mudado. O “nível de vida” é coisa do espírito. O nível de vida de um milionário desonesto é mais baixo do que do honesto trabalhador, sobre o qual o milionário aperta seu casco ferrado de ouro. Francisco compreendeu isto. Isto foi o que Cristo ensinou. Esta é, eternamente, o juízo de Deus.
Se conseguir fazer compreender este ponto, não tem importância se deixo de lado outras coisas. Falta-me tempo para falar do gradual agrupamento de milhares e milhares de homens em torno de Francisco, da fundação de sua ordem e do que se poderia chamar seu “círculo exterior”, a ordem terceira, nem do delicado idílio de Santa Clara e da fundação da ordem segunda, composto daquelas “pobres clarissas”, que, graças a Deus são numerosas também na Inglaterra e cuja história está sempre marcada pela fidelidade à pobreza mais perfeita.