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saofrancisco2Mas há uma coisa que não posso silenciar sem escândalo e vergonha. Um aceno devo fazer ao milagre pelo qual, na sua carne mesma se reproduziram os sinais externos da paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. No ano de 1224, no mesmo ano em que os primeiros frades franciscanos desembarcaram na Inglaterra, em Dover, Francisco se retirou entre as rudes rochas do monte Alverne, a fim de orar na solidão.
E foi lá que, no final de um êxtase, encontrou impressas nas palmas de suas mãos, nos seus pés e no lado do peito os sinais (estigmas) das feridas de Cristo.
Hoje em dia, não pode haver dúvida – ou não deveria haver – sobre a historicidade deste evento. Os peritos discutem ainda sobre, digamos assim, os mecanismos psico-fisiológicos que o determinaram, e o fazem be, e o façamos também nós. Citam casos de amor materno que foi causa de terem surgido, no corpo da mãe, expectadora impotente de sinais correspondentes às feridas que destroçavam o corpo do filho, vítima de uma desgraça. Estamos muito alegres de ter outras provas de que um amor tão intenso, penetrante, alto e seráfico pode produzir.
Mas o que dizer de um amor aceso no coração de um homem com tal ardor a ponto de unir, nesta terra, com insuperável intensidade e pureza a Cristo,marcando o mesmo corpo – mas o que estou dizendo! “Não só?” O fato de maior importância é que, não apenas na pobre carne de Francisco se encontraram reproduzidas exata e dolorosamente – coisa, sem dúvida, portentosa – os sinais dos cravos e da lança, mas que, no seu ânimo tivesse sido reproduzido até o ponto em que uma ser humano pode acolher e suster um amor divino, o amor mesmo de Cristo que por nós viveu e morreu.
Assim falei a vocês de Francisco e, pobre de mim, bem pouco disse para dar a entender o que ele foi. Apenas chamei a atenção de vocês par os dois pólos de sua existência:
• o negativo, que foi sua recusa de tudo o que a natureza humana tende a idolatrar;
• e sua adesão, com o mais profundo de sua alma a Deus revelando-se em Jesus Cristo, que é o elemento positivo de sua vida.
Ele não é uma elegante estatuazinha que se encontra nas lojas de objetos de piedade; ele não é o romântico pregador aos passarinhos e aos peixes; nem o cavaleiro andante do seu Senhor, a percorrer as belas paisagens da Úmbria; nem somente aquele que bendizia do alto das colinas. Assis, enquanto ia chegando sua morte, entre as muralhas que já não poderia ver, pois estava cego pelas lágrimas e enfermidade; nem aquele que partiu o pão em pedacinhos, pela última vez, para poder gozar a última ceia com seu amado, e que morreu sobre o chão nu, na hora mesma em que o sol se punha e milhares de estrelas cintilavam no céu da tarde seu coro feliz.
Francisco, tendo vivido neste mundo e tendo tão bem compreendido a nós, que devemos vivê-lo, não nos pertencia. Não, ele não nos pertencia! Quanto a mim, cuja juventude pagã ele, mais do que qualquer outro santo regenerou, estou feliz de ter podido, com minhas palavras, beijar, por mim e pro vocês, as marcas de sua memória.