Treze Santos: São Francisco Xavier, correio de Cristo – 1ª parte
abril 27, 2013
Treze Santos: São Francisco Xavier, correio de Cristo – 3ª parte
abril 27, 2013

Treze Santos: São Francisco Xavier, correio de Cristo – 2ª parte

Terra natal
castelo_de_XavierNa Espanha do norte, em meio a uma terra seca, pintada de castanho e cinza, sulcada de torrentes cintilantes, sob um céu azul real, se eleva a fortaleza do clã Xavier. Um quadrado, protegido por grossas muralhas, dominado por uma antiga torre. Um labirinto de corredores, dentro espessura dos muros. Portas chapeadas de ferro. Uma só abertura estreita para iluminar a capela. Neste castelo nasceu Francisco, no dia 7 de abril de 1506.
Sua infância foi austera e feliz. Cresceu duro como cristal, habilíssimo em todo tipo de exercício físico, moreno claro, dotado de um estranho magnetismo pessoal, que o acompanhou por toda a vida.
Guerras
Tinha apenas seis anos, quando se desencadearam calamidades em série sobre sua família e sua terra. Em 1512, irrompeu guerra fratricida entre Navarra e Castela, na qual intervieram franceses e até o Papa. Basta dizer que o próprio clã Xavier teve gente de um lado e de outro. Ninguém ficou neutro.
Um depois do outro os castelos foram tomados, suas defesas desmanteladas, terras confiscadas, novos impostos lançados. A família Xavier ficou arruinada, mas seus membros ainda combatiam.
Em 1520, os franceses e os navarros se lançaram contra a capital Navarra, Pamplona, defendida por forças castelhanas. Num dos pontos mais em perigo, estava Inácio de Loyola, animando a resistência da cidadela. Entre os atacantes se encontravam dois irmãos de Francisco. Ele, com onze anos apenas, ficara em casa.
Uma bala de canhão quebrou a perna de Inácio e deixou a outra bastante ferida. O fato lhe mudou o rumo da vida e o conduziu, muito mais tarde, a ser o fundador principal da Companhia de Jesus. Se Francisco tivesse alguns anos mais, poderia ter sido ele a atingir Inácio.

Feito estudante
Passaram-se os anos. A família Xavier pôs as mãos às obra para levantar a sorte, como uma colônia de castores, que teve de consertar uma brecha no seu dique. Francisco, de inteligência viva, foi mandado à mais célebre universidade da sua época, a Universidade Paris, a Sorbonne
Mas não havia dinheiro e o rapaz estava de mãos vazias. A mãe, ansiosa, queria que ele voltasse para casa. Uma filha, freira num convento de pobres clarissas, insistiu que deixasse o irmão seguir em frente. Ele permaneceu em Paris, mas boa parte de sua atividade era dedicada a obter o reconhecimento dos títulos de nobreza dos Xavier, o que obteve.
A corte, a catedral, os altos postos militares ou dos tribunais: estas eram as visões que ele acariciava. No entanto – milagre da graça! – este jovem mundano, brilhante, audaz, particularmente fascinante manteve-se limpo. Nunca teve o sorriso debochado, o olhar cúpido do luxurioso, não conheceu a degradação, a febre, a peste do vício.