Treze Santos: São Francisco Xavier, correio de Cristo – 2ª parte
abril 27, 2013
Treze Santos: São Francisco Xavier, correio de Cristo – 4ª parte
abril 27, 2013

Treze Santos: São Francisco Xavier, correio de Cristo – 3ª parte

saofranciscoxavier2Paris: o encontro
Francisco chegou em Paris com dezenove anos. Era orgulhoso, mas orgulho não basta. Mesmo “o fidalgo” mais cônscio da “dignidade” da própria linhagem nem sempre está livre de ultrapassar “os limites”. Naquele tempo, Francisco acreditava que o orgulho bastasse. Seguia os colegas e também um professor muito popular (que morreu em conseqüência, pois contraiu sífilis) em suas escapadas, mas não tomava parte até o fim.

Creio que o férreo domínio de si mesmo que este jovem passional estivesse a ponto de quebrar, quando Pedro Fabro, o jovem e genial ex-pastor suíço, começou a partilhar o quarto com ele, no Colégio Santa Bárbara, dos portugueses. O convívio com aquele grande coração (deixe-me dizê-lo, não se tratava nem de um tolo nem de um ingênuo nas coisas deste mundo!) foi para Francisco como uma pausa.
Mas o refinado fidalgo,o brilhante homem do mundo, o reconhecido atleta, começou a ceder a uma nova tentação. Paris era, por então (e quando não foi?), o foco de novas idéias. Diante do perfil gótico da velha cidade, começava a surgir dominante o mármore branco e o ouro da antiguidade pagã, da cética Atenas. Francisco quase que se torna um “heterodoxo”. Um “modernista”, diríamos hoje. Ele, que nunca se tornara um dissoluto, corria o risco de se tornar um cérebro!
Foi neste momento que surgiu na sua vida Inácio de Loyola.
Muito gostaria de falar-lhes de Inácio. Mas senti um certo impacto ao pensar que ele é, sobretudo, o meu pai espiritual. Talvez, em outra ocasião, eu possa vencer este pudor e fazê-lo.
Inácio era um fidalgo espanhol, de linhagem tão nobre quanto a de Francisco, mas se tinha tornado muito diferente. Não dava atenção a dinheiro nem a posição social. Francisco o detestava e o ironizava. Mas acabaram se encontrando e Inácio o conquistou. Mais tarde, Polanco, secretário da Companhia, escreveu: Muitas vezes ouvi nosso melhor modelador de homens (Inácio) dizer que o barro mais duro que teve de trabalhar foi Francisco Xavier.
Inácio conseguiu fazer Francisco compreender que o dinheiro, os títulos de nobreza, e o egoísmo são como nada em comparação aos fins eternos, diante do que alguém é (e não do que tem ou do nome que leva), à luz do que pode fazer pelos demais em nome de Cristo, não em nome do próprio egoísmo.
Votos
Em 1533, Francisco e Inácio, Fabro e outros 4 companheiros, se empenharam solenemente a seguir, desde aquele momento, a Cristo em pobreza e castidade. Comprometeram-se também, depois de mais três anos, terminados os estudos, de peregrinar à Terra Santa. Se não pudessem, iriam a Roma, pedir ao Santo Padre que os enviasse onde fosse mais necessário.
Inácio tinha, por então, cinqüenta e três anos, e Francisco, vinte e três. Quando partiram para tentar o embarque para a Terra Santa, foram em grupos separados, pedindo esmola e a pé. Estavam todos em Veneza em 1537. Pelos três anos seguintes, Francisco e os outros se ocuparam em servir. Ele trabalhou, sobretudo, nas prisões e nos hospitais. Ordenado sacerdote, veio a adoecer e os médicos lhe davam apenas dois meses de vida.