São Martinho de Lima – (1579-1639)
abril 27, 2013
Treze Santos: Santo Antão do Egito – depois da geração apostólica
abril 27, 2013

Treze Santos: São Paulo, Apóstolo e Mártir (última parte)

São Paulo – O Apóstolo dos Pagãos (morto, provavelmente em 67 d. C.)

O Martírio

Tre_Fontane

Abadia de TRE FONTANE, no local do Martírio de São Paulo.

A fonte de toda a sua fé, daquela sua arrebatadora vitalidade, em uma palavra: o Cristo. Que coisa Paulo sentia de si mesmo? Sentia ser batido, mas não despedaçado; esmagado, mas não sem esperança; apedrejado, mas não vencido; levando sempre no meu corpo as marcas da paixão e morte de nosso Senhor Jesus Cristo, Não nos deixemos abater! Se bem que o homem carnal vá se acabando lentamente, o nosso eu interior vai se renovando cada dia. Porque nossas tribulações momentâneas são leves, em relação ao peso de glória que elas nos preparam até o excesso. Não nos fixamos nas coisas visíveis, mas olhamos para as invisíveis. O que agora vemos não dura mais que um momento. O Invisível é eterno! (2 Cor 4,8-18). Penso, na verdade, que os sofrimentos do tempo presente, não se comparam com a glória que há de se revelar em nós (Rm 8,18). Se Deus é por nós, quem será contra nós? Quem ousará acusar os eleitos de Deus? Deus? Mas é Ele quem nos torna justos! Quem nos há de condenar? Cristo, mas ele morreu e ressuscitou e está sentado à direita do Pai, onde intercede por nós. Ah! Quem nos separará do amor de Cristo?  A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, os perigos, a espada? – Tudo o que pode separar e nos separa realmente nós, pobres seres humanos, uns dos outros – Em tudo isto, porém, somos mais que vencedores graças Àquele que nos amou. Ah! Bem sei que nem a vida, nem a morte, nem os anjos, nem os espíritos, nem o presente, nem o futuro, nem a altura, nem o abismo, nem coisa alguma criada poderão nos separar do amor de Deus que é em Cristo Jesus, Nosso Senhor! (Rm 8,31-39).

Não pode portanto admirar-nos que, no final de sua vida, o velho apóstolo, largado na sua prisão subterrânea em Roma, voltasse seu olhar para o conjunto de sua vida: as populosas e ruidosas cidades, os povoados das planícies úmidas, os mares, as terras estrangeiras, até Tarso de sua infância, com suas águas bem controladas, seus pomares regados e cálidos. Entre as recordações, entre os muitos vultos amigos que se apresentavam a seu pensamento, ele não precisava se esforçar para evocar o rosto de Estevão, luminoso como de um anjo, mesmo através do sangue que o cobria, e nem mesmo os rostos daqueles cristãos, homens e mulheres que tinha mandado a morte sem compaixão. Eles o rodeavam.

Uma meia dúzia de soldados o empurrou às pressas pelas vielas pobres até às margens do Tibre, dando as costas aos teatros, palácios e templos da Roma dourada de Nero, e, depois, por uns cinco quilômetros, pela estrada que ligava Roma ao porto de Óstia, até que, à esquerda, num pequeno bosque de pinheiros, onde corriam as águas de uma fonte medicinal.

Velho, enfermo e sozinho, muito cansado, o servidor de Cristo foi despido, mais uma vez flagelado, amarrado a uma árvore, e, então, decapitado.

Hoje, podemos nos ajoelhar neste lugar, pois é conhecido com certeza. É um espaço sereno, onde apenas se ouve o vento nas folhas das árvores, o murmúrio das águas e de alguns fiéis em oração.

Foi permitido a amigos a remoção do corpo, levado a um lugar mais perto de Roma. Com o passar do temo, um outro imperador fez colocar sobre o seu túmulo uma inscrição: PAULO, APÓSTOLO E MÁRTIR. Durante seus anos nesta terra, Paulo havia demonstrado que, para ele, viver era Cristo: Vivo eu, e não mais eu, mas é Cristo quem vive em mim (Gl 2,20; Fl 2,21). Agora ele vive em Cristo, segundo sua expressão favorita. Continua pregando, continua fonte de vivificante energia, até aquele tempo, quanto, para todas as criaturas, Cristo será tudo em tudo (Cl 3,11).