Débora: uma mulher julga Israel!
novembro 5, 2015
Papa Francisco apela em favor dos cristãos perseguidos e martirizados
novembro 7, 2015

Uma cristã queimada viva por romper o namoro com um muçulmano: um caso entre muitos

4/11/2015
Vatican Insider – La Stampa 4.11.15 – Itália

Paquistão: morre a cristã queimada viva por um muçulmano

Sônia Bibi, que tinha se recusado a casar no islamismo, morreu no hospital em Multan pelos gravíssimos ferimentos. Seu assassinato é fruto de uma mentalidade que considera os cristãos inferiores.

Sônia Bibi não teve sorte. A jovem cristã de 20 anos, molhada de gasolina e queimada viva por um muçulmano, por se ter recusado a casar-se com ele no islamismo, morreu no dia 4 de novembro no hospital de Multan. Sônia teve mais de 50% do seu corpo queimado e dadas as profundas queimaduras, sofreu uma infecção mortal, embora os médicos tivessem demonstrado boas esperanças em sua recuperação.

Ahmed Latif, rapaz muçulmano, autor do crime, foi detido pela polícia, que abriu um inquérito. Sônia, no hospital, pôde relatar o que acontecera aos policiais que foram escutá-la e registrar seu testemunho.

A jovem confirmou que os dois tiveram um breve namoro, encerrado por incompatibilidade. Latif não pôde tolerá-lo. Ainda mais por se sentir rejeitado por uma cristã. Da parte de um “amo”, a rejeição de uma “escrava” era intolerável. Era algo que devia ser punido do modo pior. Ele tinha certeza de que mataria um ser inferior impunemente.

A sina de Sônia Bibi é a mesma de outras mil jovens cristãs e hinduístas, coagidas a desposar homens muçulmanos e a se fazerem muçulmanas, sob pena de abusos e violências.

O padre católico paquistanês, Bonnie Mendes, com 50 anos de sacerdócio, já tem visto muitos casos semelhantes, em sua colaboração com a Cáritas Internacional e com o Pontifício Conselho de Justiça e Paz. O Padre Mendes explicou ao Vatican Insider sua perspectiva: “Pode-se entender que dois jovens se sintam atraídos e que, depois, a menina queira interromper o relacionamento. No Paquistão, para uma mulher muçulmana isto já é difícil, visto que, na sociedade islâmica, ela tem uma posição inferior. Para uma jovem cristã tudo se torna mais árduo e arriscado”.

Continuou: “O muçulmano se considera superior e não pode aceitar uma recusa. A mulher cristã é considerada como uma nulidade, algo a mercê do homem, objeto para seu prazer. Não lhe é considerada nenhuma dignidade humana. O assassinato de Sônia é fruto de uma mentalidade corrente, difusa na sociedade, que vê os cristãos como cidadãos de segunda categoria, seres inferiores. Nem mesmo são considerados como propriamente humanos”.

Contudo, diante deste cenário, a reação do Padre Mendes não é tanto o protesto e a reivindicação de direitos, quanto um ato profundo de fé: “Esta é a realidade. Como cristãos, nossa referência é Cristo Crucificado. O Cordeiro conduzido ao matadouro. Cristo amou também os seus agressores, inimigos e perseguidores. A nossa vida está nas mãos de Deus. Entregamos também a Ele a vida de Sônia Bibi, uma jovem inocente. Os cristãos paquistaneses dependem de Deus. Nossa natureza é mansa, não violenta”.

O Padre acrescentou: “Pode acontecer, de modo pacífico, uma mudança de mentalidade na sociedade paquistanesa, mesmo que seja um trabalho longo e difícil”. Trata-se de insistir no diálogo, na formação das novas gerações, que acontece, sobretudo, nos bancos escolares. Então, a ideia de discriminação e inferioridade das minorias não muçulmanas poderá ser, gradualmente, erradicada.

Esta obra, para ser eficaz, deve necessariamente envolver educadores, políticos e líderes religiosos muçulmanos, juntamente com as organizações da sociedade civil.

Um bom exemplo veio, recentemente, da ONG “Bargad”. Na profunda convicção de que “mentalidades se constroem a partir da linguagem”. A associação reuniu em Lahore centenas de estudantes muçulmanos, que se comprometeram a não chamar os cristãos paquistaneses de “Isai”, termo da língua urdu, empregado nos tempos coloniais com acepção pejorativa.

Foi lançada a campanha “Verde pelo Branco”: na bandeira do Paquistão o verde representa os muçulmanos e o branco, as minorias religiosas. A ONG pretende levar os muçulmanos no Paquistão a apoiar as vítimas da perseguição religiosa, restituindo a dignidade aos cidadãos não islamitas. Os cristãos seriam chamados de “Masih”, em urdu, “povo do Messias”. É um primeiro pequeno passo para a proteção das minorias, partindo dos jovens.