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Uma demissão em protesto, a solidão do Papa, parcerias homossexuais, populismos – fala o Cardeal Parolin

Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano

Uma demissão em protesto, a solidão do Papa, parcerias homossexuais, populismos – fala o Cardeal Parolin

 

O Cardeal em Florença: “A solidão do Papa é exagerada”. Quando a adoção por parcerias homossexuais e o fim da vida: “Nem todas as escolhas são passíveis de partilhas. A Igreja não é obscurantista”.

ANSA

02/03/2017
LA STAMPA – VATICAN INSIDER

SALVATORE CERNUZIO
CIDADE DO VATICANO

Para Maria Collins (representante das vítimas de pedofilia na comissão pontifícia para estes casos) “a única maneira de reagir, ainda que modesta, para sacudir a árvore, era apresentar a sua demissão”. O Cardeal Pietro Parolin abaixa o tom sobre a decisão da senhora irlandesa, também ela vítima de abusos, que formalizou sua renúncia à participação na “Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores”, declarando que “a gota que fez transbordar o vaso foi a falta de colaboração de alguns discatérios (ministérios) da Cúria Romana”.

Interrogado a respeito, num Congresso em Florença, o Cardeal Secretário de Estado, explicou que “houve alguns episódios que levaram a Sra. Collins a dar este passo, e pelo que sei elas os considerou assim, e sentiu que a única maneira de reagir, ‘ainda um pouco para sacudir a árvore’, seria pedir a demissão”.

Apesar das “vergonhosas” resistências internas de alguns departamentos da Cúria – segundo o Cardeal Parolin –os membros do organismos “estão levando adiante um belo trabalho de sensibilização”. Prosseguiu: “O Arcebispo de Boston, o Cardeal O’Malley (presidente da Comissão) tem mostrado um grande empenho em favor da proteção das criança. Mas esta Comissão não deve ocupar-se de todos os abusos sexuais, pois cabem ao exame da Congregação para a Doutrina da Fé. Ela foi criada para encarregar-se sobretudo de criar na Igreja um ambiente que defenda crianças e adolescentes (menores) e os proteja para que não se repitam os crimes de pedofilia”.

O Cardeal foi bastante claro respondendo a perguntas sobre a divulgada “solidão” do Papa Francisco no governo da Igreja: “Creio que muitas vezes haja a tendência de exagerar e eu nisto não seguirei certos setores da mídia, embora que o Papa esteja só faz parte do seu ofício, no vértice da Igreja. Também um Bispo ou um Pároco se vê, muitas vezes, só. Contudo o Papa tem muitos colaboradores bastante próximos, e que procuram ajudá-lo no serviço diário do seu ministério”.

O Cardeal Parolin não vacilou em atender a perguntas delicadas sobre eutanásia e adoções por parcerias homossexuais, suscitadas por casos como de suicídio assistido e a sentença do Tribunal de Trento, que reconheceu a adoção de duas crianças por um par de homens: “É fundamental ter sempre uma atitude de grande respeito perante a todos e a suas escolhas, embora, evidentemente, não possamos partilhar de todas elas”.

Esclareceu que as opções da Igreja não são “obscurantistas”, pois, “quando diz ‘Não’ é porque existe um ‘Sim’ maior. Não se trata de uma resposta puramente negativa, mas há nela algo a mais, uma grandeza superior de vida e alegria. A Igreja assim se posiciona porque deve anunciar o Evangelho, e o Evangelho tem sempre boas novas para todos”.

E continuou: “Se não fosse a voz da Igreja, ainda que incômoda, a sociedade se empobreceria muito, quanto a problemas extremamente novos e complexos, diante dos quais a sociedade parece não estar preparada, se interroga e dá respostas diversas. Também nós somos parte desta realidade, também temos nossas dificuldades, mas todo o esforço da Igreja vai neste sentido: compreender o mundo, interpretá-lo e responder-lhe”.

Acrescentou: “É difícil dizer se são ou não respostas adequadas, inclusive pela complexidade dos problemas. Contudo como a atitude de fundo é a vontade de compreender e responder evangelicamente, o que não significa fechar-se ou tudo aceitar. A Igreja tem sua proposta de olhar de frente as novas situação referentes ao matrimônio, à vida e à família, e leva em conta todos os pressupostos para garantir uma formação adequada aos sacerdotes, a fim de que estejam aptos a dar respostas”.  A Igreja tem sua proposta de olhar de frente as novas situação referentes ao matrimônio, à vida e à família, e leva em conta todos os pressupostos para garantir uma formação adequada aos sacerdotes, a fim de que estejam aptos a dar respostas”.

O Cardeal Secretário de Estrada fez uma crítica aos “populismos, que têm um maciço retorno, sobretudo no mundo da política. Trata-se de uma instrumentalização de sentimentos, talvez compreensíveis, como desejos de defender a própria cultura, o próprio passado, mas que, quando são excessivos, sabemos ao que conduzem”.