Bolo “AREIA”
maio 14, 2015
O Sacramento da Crisma, ou da Confirmação: origem bíblica, etc.
maio 18, 2015

Uma dona de bordel na História da Salvação: Raab

Raab, mulher com nome de monstro (Js 2)

 

“Rahab”, em hebraico, é um termo de significado incerto, mas atribuído a um ser monstruoso, ora designando o caos, a confusão ameaçadora (Is 59,12; Sl 89-90,10-11; Jó 9,13 e 26,12), claro: a quem Deus vencia e dominava. Por isso, pela convicção de que o Senhor acalma as tempestades, Isaías chama o Egito, com menosprezo, de “Raab sentada” (Is 30,7).

É curioso que uma dona ou gerente de bordel usasse este nome. Mas ela era uma pagã, e, quem sabe, os cananeus teriam Raab como um poder divino, um deus… Ela é apresentada no Livro de Josué como protetora dos espiões hebreus, que, por isso, é preservada quando aconteceu o ataque e a conquista. Assim, mais adiante, lemos: “Mas Raab, a meretriz, assim como a casa de seu pai e tudo o que lhe pertencia, Josué os poupou. Ficou ela habitando até hoje no meio de Israel, por haver ocultado os mensageiros, que Josué enviara para reconhecer Jericó” (Js 9,25). Mais extraordinário é que ela é mencionada na genealogia de Jesus, como tendo casado com um certo Salmon, tendo um filho, Booz, que, por sua vez, desposou Rute (Mt 1,5; ver Livro de Rute). Portanto, uma cananéia de profissão reprovável veio a se tornar uma das antepassadas do Messias! Coisas da Providência do Deus Amor, que nos redime, cura e salva.

O Autor da Carta aos Hebreus assim se refere a esta personagem: “Foi pela fé que a prostituta Raab acolheu pacificamente os espiões e não pereceu com os incrédulos” (Hb 11,31). Também na Carta de Tiago seu exemplo é lembrado: “E Raab, a meretriz, não foi igualmente reconhecida como justa pelas obras, quando acolheu os mensageiros, despedindo-os depois por outro caminho?”. Enfim, de um episódio aparentemente menor, aprendemos uma bela lição do valor da fé e da misericórdia: “Assim como o corpo sem alma é morto, também a fé sem obras é morta” (ver Tg 2,25-26).