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Uma homenagem ao Beato jesuíta mártir, Vicente de Santo António

Recebi esta notícia de meu colega e bom amigo, jesuíta, Pe. João Caniço, lá de Portugal. Nãos ei o que seria o suplício das águas sulfurosas, mas me veio de novo a sensação de suto e de aumento de fé, toda vez que tenho notícia de autênticos martírios. Julgue por você mesmo e se alegre também pelo que está acontecendo de bom na “Terrinha”, graças aos bons católicos e a graça de Deus!

Centro Pastoral Beato Vicente
em Montechoro

O Beato Vicente de Santo António (de Albufeira) foi homenageado no passado Domingo, dia 1 de Setembro, com a inauguração e bênção solene do Centro Pastoral de Montechoro, que o assumiu como patrono: “Centro Pastoral Beato Vicente”. Presidiu ao acto, o bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, acompanhado pelo bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos. Os cristãos de Montechoro e Albufeira fizeram questão de estar presentes em grande número, ultrapassando os cerca de 500 lugares-sentados das novas instalações. O bispo D. Manuel abençoou o Centro Pastoral e o salão-capela e presidiu à celebração da eucaristia com a administração do crisma a um grupo de cristãos, jovens e adultos. No final, foi servido um jantar volante, a que se seguiu um sarau artístico e cultural.
O novo Centro Pastoral, obra em que se empenhou a comunidade cristã, liderada pelo seu pároco, Cónego José Rosa Simão, é a primeira parte de um complexo onde se inclui a futura igreja paroquial, ainda a construir. É digna de menção a boa vontade de muitos particulares e também da Câmara Municipal de Albufeira, que, para além da cedência dos terrenos, se tem manifestado em vários géneros de colaboração.
O Beato Vicente, cuja festa litúrgica ocorre no dia de hoje (3 de Setembro), data do seu martírio (Nagasáki, Japão, 1632), nasceu no Castelo de Albufeira, em 1590. Ordenado sacerdote em Lisboa, partiu como missionário para o México, onde se juntou aos frades agostinhos, continuando a sua missionação nas Filipinas e depois no Japão. Aqui, foi missionário oculto, disfarçado de vendedor ambulante, pois, nesse tempo, era severamente proibido praticar a religião cristã no país. Mudando de traje e de nome, ia, como vendedor, de casa em casa, para assim contactar e encorajar as famílias cristãs, administrar sacramentos e ensinar a fé cristã. Descoberto ao fim de nove anos de perseverante actividade, foi preso e acusado de ensinar a religião cristã. Depois de cerca de dez meses de vida de grandes tormentos, entre os quais o suplício das águas sulfurosas, padeceu, por fim o suplício do fogo.
Foi beatificado pelo Papa Pio IX, a 7 de Julho de 1867, fazendo parte do grupo de “Carlos Spínola e Companheiros Mártires”, num total de 205 mártires. Do mesmo grupo, na sua maioria cristãos japoneses, fazem parte mais seis mártires portugueses: João Baptista Machado (padre jesuíta de Angra do Heroismo), Ambrósio Fernandes (irmão leigo jesuíta de Xisto, Porto), Diogo Carvalho (padre jesuíta de Coimbra), Miguel Carvalho (padre jesuíta de Braga), Francisco Pacheco (padre jesuíta de Ponte de Lima) e Domingos Jorge (leigo de Vermoim da Maia, Porto).
Para a sua canonização, é condição necessária que o seu culto (e o dos seus companheiros) seja reconhecido entre o povo cristão. Para isso, é muito importante confiar-lhes os nossos problemas e pedir-lhes ajuda junto de Deus.
Também é necessário que o Beato Vicente continue a tornar-se mais conhecido, sobretudo a partir da sua terra, onde já tem uma estátua e agora o novo Centro Pastoral (e mais tarde uma igreja). Mas poder-se-á ainda dar o seu nome pelo menos a uma Avenida e a uma Escola, a exemplo da rua, travessa e escadinhas, que Albufeira atribuiu a outro algarvio ilustre (e também agostinho), São Gonçalo de Lagos.

Padre João Caniço
Vice-postulador da Causa de Canonização dos Mártires do Japão e do Brasil