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abril 28, 2015
São José Bento Cottolengo (1786-1842) 30 de abril
abril 29, 2015

Valores no lar e na escola – Foucault: “A verdade dos meus livros está no futuro” – Reflexões sobre Maquiavel

Celso Antunes, “Inteligência existencial e prática de valores no lar e na escola”, Loyola / SP 2015, 21×14, 141 pp.

O Autor, atualmente consultor do Canal Futura, entre outras militâncias e trabalhos, é conhecido por uma pluralidade de obras, entre livros e artigos, sobre educação. Tem estudos traduzidos nos Estados Unidos e na Europa. Nesta obra, ele se debruça sobre como reconhecer e ajudar a reconhecer valores numa época marcada pela “solidez que se liquidifica”. Um ensaio que merece acolhida por educadores, professores, sociólogos e psicólogos. Os pastores e evangelizadores poderiam tirar grande proveito de sua leitura atenta.

Olivier Dekens, “Michel Foucault: ‘A verdade de meus livros está no futuro'”, Loyola / SP 2015, 21×14, 244 pp.

O Autor, docente do Liceu Guist’hau, Nantes, França, publicou pela Loyola, “Compreender Kant” (2008). Na quarta página lemos um parágrafo que liga as duas obras, talvez não intencionalmente: “O trabalho da filosofia é a análise dos limites. Contudo, enquanto Kant e a tradição queriam determinar as fronteiras do conhecimento, para Foucault, a filosofia, hoje, deve determinar aquilo de que pode se libertar”. A obra merece um “preâmbulo – Aporética – Do Autor”, onde nos coloca em contato com “Foucault por ele mesmo; A abolição do nome próprio; Questões de método”. Segue-se um “Prólogo – a imaginação no poder )introdução a ‘Sonho e existência’ de Bisqnager, 1954). Só então somos conduzidos ao cerne, distribuído em 6 capítulos ou partes, unidos por “Figura” e Retrato”. Por exemplo, a 1ª parte, “Ontologia – Da filosofia”, e a 2ª, “História – Da razão”, está separada da, ou unida à 2ª, “Arqueologia – Da verdade” pela “Figura 1 – O louco” e Retrato 1 – Derrida”. De certo professores e estudantes de filosofia apreciarão bastante este inteligente livro sobre um dos filósofos mais lidos e apreciados dos últimos tempos. Outros leitores surgirão, pelo menos se se deixarem atrair pelo fascinante “Epílogo – A impaciência da liberdade (O que são as Luzes, 1984). Boa bibliografia.

Helton Adverse (Org.), “Reflexões sobre Maquiavel – 500 anos de ‘O Príncipe'”, Loyola / SP 2015, 21,14, 238 pp.

O Autor é docente da Federal de Minas Gerais e publicou, pela editora desta Universidade, “Maquiavel – Política e Retórica” (UFMG 2009). Sua área de estudos se concentra na Filosofia Política, em particular no Renascimento Italiano. A 1ª reflexão (Cap. 1) coube a Marie Gaille: “Desejo de liberdade, cidadania e democracia – retorno à questão da atualidade política de Maquiavel”, ensaio que serve de espinha dorsal à leitura do que se segue. António Bento (Cap. 2) discute “‘Conjuras’ e ‘Golpes de Estado’: de Nicolau Maquiavel a Gabriel Naudé”. Newton Bignotto (Cap. 3) trata de “O aprendizado da força”. José Luiz Ames (Cap. 4) discute “Verdade efetiva e ação política em ‘O Príncipe1 de Maquiavel”. José Antônio Martins (Cap. 5) reflete “Sobre o príncipe civil e a soberania em ‘O Príncipe’ de Maquiavel”. Para quem considera que Maquiavel é fautor do absolutismo, Gabriel Pancera (Cap. 6) surpreende com “Diálogos em torna da igualdade – ponderações sobre as objeções de J. L. Ames, autor do capítulo 3. O mesmo acontece com a leitura do texto de Helton Adverse (Cap. 7): “Argumentos republicanos em ‘O Príncipe'”. Para os curiosos da história italiana do período e dos seus “condottiere”, o ensaio de Flávia Roberta Benevenuto de Souza, “Maquiavel e o caso César Borgia” (Cap. 8) terá um particular interesse. Finalmente, Alberto Ribeiro G. de Barros (Cap. 9 e último), nos coloca diante da esfinge: “O enigmático principado civil”. Interessante conjunto de articulistas consegue nos mostrar como e porque Maquiavel continua a ser lido, consultado e tico com um clássico da arte e ciência políticas. Sociólogos e historiadores, além de leitores bem informados e, naturalmente, cientistas políticos e filósofos acolherão com gosto estas “Reflexões” tão bem conduzidas.