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Venezuela: os Bispos falam!

Manifestação na Venezuela

La Stampa – Vatican Insider

13/07/2016
LUIS BADILLA
ROMA

Venezuela: os Bispos dizem a Maduro: “Chega! O povo sofre!”

“Desconhecer a autoridade legítima da Assembléia Nacional tira a legitimidade a quem a propõe, pois está em contradição com a vontade expressa no voto popular”.

Raramente se tem lido uma declaração episcopal como aquela que há poucas horas emitiram os Bispos venezuelanos. Os termos parecem definitivos e terminantes para o Presidente Nicolau Maduro. Há um apelo à reconciliação, mas diversas passagens não deixam dúvidas sobre o juízo da Igreja da Venezuela sobre a situação. Os Bispos afirmam com clareza que o povo venezuelano “atravessa um momento crucial no âmbito da vida moral, econômica e social (…), porque diminuiu drasticamente a qualidade de vida, e a falta de alimento, medicamentos e material hospitalar nos conduzem a uma crise da segurança alimentar e de saúde”. Acrescentam: “Crescem na vida pública a insegurança, a impunidade e a repressão militar”.

Então, os Bispos lançam uma séria advertência: “O discurso militarista e agressivo dos dirigentes torna cada vez mais difícil a vida quotidiana. A constante pregação ao ódio, a criminalização e a punição de qualquer dissidência ferem as famílias e os relacionamentos sociais. Diante desta situação, o aumento do poder militar é uma ameaça à tranqüilidade e à paz”.

Depois de ter recordado diversas situações de violência e ódio, entre as quais o ataque a um grupo de seminaristas maltratados e despidos na rua, com a única intenção de humilhá-los, o Episcopado lança nova advertência inédita e muito grave: “Na prática, vivemos sob o arbítrio das autoridades e dos funcionários públicos, que tendem a ser censores da vida alheia, do pensamento e do agir dos cidadãos. Atitudes e procedimentos desta natureza são inaceitáveis. A identidade cultural do venezuelano fica reduzida e até se ofusca, quando se toma em consideração apenas o fato da pertença ou não do projeto político imperante”.

(…) “A democracia na Venezuela se rompeu, e o executivo e os outros poderes (…) não fazem o que parece necessário para recompô-la. O diálogo sincero e construtivo e o exercício da política na sua mais nobre concepção, a procura do bem comum, ainda que pareçam difíceis, devam continuar a ser caminhos a serem percorridos. Não se pode dialogar, a menos que, em primeiro lugar, se reconheça a igualdade do outro. Ignorá-lo ou desqualificá-lo como interlocutor fecha toda possibilidade de superar o conflito.

(…) Uma reflexão especial é dedicada à intenção de Maduro de dissolver o Parlamento: “Desconhecer a autoridade legítima da Assembléia Nacional, tira a legitimidade a quem a propões, porque está em contradição com a vontade soberana expressa no voto popular”. Então, pela primeira vez, o Episcopado toma atitude sobre o referendo revocatório que as oposições querem e par aoqual recolheram cerca de um milhão de assinaturas: “O Conselho Eleitoral Nacional tem a obrigação de proteger o porcesso do referendo revocatório, a fim de que possa ser realizado ainda este ano. Este é um caminho democrático e um direito político sancionado na Constituição. Impedi-lo ou retardá-lo é uma medida absurda, pois coloca em perigo a estabilidade democrática e social do país, com trágicas consequências para as pessoas”…